Entre as propostas de rock que o NOS Alive 2025 apresentou, os Bad Nerves e os Dead Poet Society destacaram-se pela forma como agarraram o público pelo colarinho, já os Jet, salvando dois clássicos, não conseguiram de todo uma prestação honrosa.
Bad Nerves
Combinando o punk frenético americano com o brit pop da sua terra natal, os Bad Nerves conseguiram gerar no dia inicial de NOS Alive 2025 a primeira grande descarga de alta voltagem do Palco Heineken.
Carismáticos, com um vocalista extremamente bem disposto e sempre a tentar arranhar umas palavras num português bastante aprovado, a banda de Essex serviu-nos uma atuação vertiginosa onde o desafio constante de provar que a malha seguinte seria mais rápida que a sua antecessora foi a palavra de ordem
Na bagagem trouxeram o seu segundo álbum de estúdio “Still Nervous”, cujos temas ao vivo se prestam a invocar o pogo, dança aos saltos inventada e popularizada pelos Sex Pistols. Com um público algo tímido, a reação não foi a esperada. Contudo, a banda não se fez rogada e entregou-se ao palco com uma atitude digna de um concerto punk. Saltos de guitarra em punho, microfones de fio a rodopiar e um salto do estrado da bateria que deitou ao chão um timbalão, mostraram bem a fibra destes rapazes de Inglaterra.
Dead Poet Society
Formada em 2013 por meninos da Berklee College of Music, a banda Dead Poet Society surge como um coletivo que veio agitar as águas do rock alternativo. Bebendo influências de bandas como Royal Blood e Highly Suspect, a sua sonoridade caracteriza-se como um indie rock musculado onde coexistem harmoniosamente afinações rebaixadas e melodias pop.
A sua estreia em Portugal, em 2024, com um concerto no LAV- Lisboa Ao Vivo não foi muito badalada, mas a prestação que assinaram foi representativa de uma banda plena de confiança e com um repertório bastante interessante. No NOS Alive 2025, o contexto já foi outro. Aproveitando a montra que é um festival, os Dead Poet Society depararam-se com uma tenda do Palco Heineken bastante cheia para assistir aquele que seria o primeiro concerto do terceiro dia do festival a invocar movimentações no público.
A promover os seus dois álbuns de estúdio “-!- ” e “Fission“, não foi difícil cativar o público com temas como “.Intoodeep.”, “.CoDA.”, “HURT” e “Running in Circles”. Aliás, a abertura do mosh pit tornou-se inevitável tal era a descarga que vinha de cima do palco. A reação de satisfação do público no fim do concerto foi notória e certamente que muitos saíram do Heineken com mais uma banda para descobrirem em casa com mais atenção.
Jet
Quando os Jet foram anunciados para o NOS Alive 2025, e ainda por cima para o Palco NOS, rapidamente se levantou uma questão entre nós: Como é que uma banda de hard rock, que já não é relevante desde 2009, e que dispõe de um só êxito mundial se vai aguentar no palco principal de um festival mainstream?
Na altura decidimos deixar as nossas reticências de lado e aguardar para ver o desfecho. Mas não poderia ter sido mais enfadonho. Sem entusiasmo, com pouca presença e um som com muita indefinição, os Jet fizeram-se ao palco para apresentar a sua terceira vinda após a segunda reunião da banda em 2023. O problema, é que não estava lá (quase) ninguém para os ver, transformando assim o concerto em algo entediante, com o vocalista Nic Cester a passar um pouco a ideia de que já não dá pica tocar ao vivo.
Entre temas como “She’s a Genius”, “Put Your Money Where Your Mouth Is” e “Look What You’ve Done”, a salvação veio com dois clássicos do cancioneiro rock australiano. Primeiro com uma cover de “It’s a Long Way to the Top (If You Wanna Rock ‘n’ Roll)”, dos AC/DC, que se revelou uma agradável surpresa visto que esta era a música de assinatura de Bon Scott, algo que levou a banda a retirá-la das setlists após a morte do vocalista. E depois com o original “Are You Gonna Be My Girl”, esse êxito garage rock dos anos 2000 que tantas manchetes deu aos Jet com títulos que incluíam as palavras “o futuro do rock”. Porém, a profecia não se confirmou, e os Jet são hoje em dia uma banda à deriva, sem grande rumo, e com pouca história para contar. Cá para nós, talvez tivesse sido mais proveitoso colocar naquele slot uma banda em ascensão com fome de palco, como aconteceu em 2019 com os Greta Van Fleet. Fica a sugestão para as próximas edições.





































