Side flips, uma mudança de indumentária de última hora e uma voz que nos remete para outro senhor de bigode farfalhudo foram os elementos que marcaram a estreia de Benson Boone em Portugal.
«Consegui ter algum tempo de folga e estou em Portugal há uns dias. Ontem fui à praia e em meia hora consegui ficar da cor de uma lagosta», foi esta a justificação que Benson Boone deu para não subir ao palco com um dos seus macacões repletos de brilhantes, que geralmente mostram alguma parte do seu peito. Mais casual, com calças de ganga e uma t-shirt, mas não menos estiloso, numa estética claramente inspirada nos anos 70, Benson compareceu no Palco NOS do NOS Alive 2025 com os dois elementos mais importantes da sua performance: a sua voz de tenor extremamente moldável e o side flip, um mortal lateral, que rapidamente se tornou na sua imagem de marca, e que impressiona qualquer espetador.
Conhecendo pouco do artista, fomos para este concerto com a ideia de que estávamos prestes a assistir a uma atuação de um one hit wonder, tal foi o enxerto auditivo que levámos de “Beautiful Things” em 2024, tanto nas rádios, como em publicações de redes sociais. Aliás, só em Portugal a música alcançou o galardão de sete vezes platina, distinção dada pela Associação Fonográfica Portuguesa. Porém, mal começou o concerto, rapidamente nos apercebemos que nós é que andámos a viver debaixo de uma rocha e que não tínhamos acompanhado o trajeto repentino do artista. Com um disco acabadinho de sair do forno, o seu segundo, intitulado “American Heart”, Boone parece agora assumir-se na elite da pop masculina ao lado de nomes como Harry Styles e Damiano David.
Porém, mal começou o concerto, rapidamente nos apercebemos que nós é que andámos a viver debaixo de uma rocha e que não tínhamos acompanhado o trajeto repentino do artista.
“Sorry I’m Here for Someone Else”, o primeiro single do novo álbum, abriu o concerto mostrando que já está bem interiorizado nos ouvidos dos fãs. Ainda a cantar junto ao piano, Boone quis comprovar que da plataforma superior para a base do palco era apenas um saltinho e, num piscar de olhos, exibiu o seu primeiro side flip da tarde.
Mas, ainda mais deslumbrante que os seus side flips, é mesmo a sua voz poderosa. A magnitude sonora e vocal dos Queen e de Freddie Mercury são-lhe inatas e Benson Boone sabe que pode explorá-las ao máximo. Ao vivo é impossível não estabelecer comparações ou alusões com esses nomes, algo que também já tinha acontecido no passado com Luke Spiller dos The Struts ou, mais recentemente, Spencer Sutherland. Ainda assim, o mais surpreendente é a forma como Boone transporta para a performance ao vivo toda essa tessitura e desenvoltura vocal que escutamos em estúdio. Não há como esconder que “I Wanna Be the One You Call”, “There She Goes” e “Mr Electric Blue” colocaram-nos um brilhozinho nos olhos numa reação espontânea perante o momento em que nos apercebemos que o legado desses monstros do rock continua bem entregue.
Outro aspeto a destacar, e que parece ser cada vez mais recorrente nestas novas estrelas do mundo da música pop rock é a sua componente humana, e Boone também contribui para este modelo. Isso ficou provado em “Drunk in My Mind”, quando sem interromper a música, e a sua melodia vocal, apenas alterou a letra para chamar a atenção dos seguranças para alguém que não se estava a sentir bem no público. Uma ação curta, mas certamente captada por muitos.
Incansável na interação com o público, Boone saltou várias vezes para o fosso junto à passadeira para se aproximar dos fãs e sentir o carinho que estes tinham para lhe dar. Já a meio do concerto, em “Mystical Magical”, o músico prestou uma homenagem, meio que disfarçada na forma de uma interpolação, à melodia de “Physical” de Olivia Newton-John. Mesmo quem não conhecia o single de Boone certamente reconheceu a melodia do tema gravado por Olivia Newton-John em 1981. Por sua vez, em “In The Stars” a homenagem foi para a sua falecida avó. Para acompanhar a balada, Benson pediu apenas para que o público estivesse presente no momento, sem telemóveis a atrapalhar a experiência. O pedido foi aceite pela maioria, mas, tal como existem sempre aqueles indivíduos que insistem em fazer barulho em momentos de silêncio, aqui também surgiram alguns casos de desrespeito para com o pedido do artista. Mas o espetáculo continua, não é assim?
Com o relógio quase a bater na hora de acabar o concerto, ainda houve tempo para “Young American Heart”, que nos mostrou uma faceta de Boone que ainda não tínhamos escutado no concerto, o seu robusto falsete, a emotiva “Cry”, e, naturalmente, o mega êxito “Beautiful Things”, com Benson a percorrer o público de uma ponta a outra, a dar autógrafos e a terminar em palco com uma rondada seguida de mortal à retaguarda. Nota: 10. Entreguem a medalha!
















































