mike 11 teskey brothers nos alive
(c) Inês Barrau

NOS Alive 2025 | Mike11 & The Teskey Brothers, Quando a Música Vem da Alma

Review

Mike11
8/10
The Teskey Brothers
9/10
Som
9/10
Ambiente
8/10
Overall
8.5/10

Do Fado ao Soul, Mike11 e The Teskey Brothers apresentaram-se no NOS Alive 2025 com dois concertos que nos tocaram diretamente na alma.

Mike11

Ilustre representante do fado de fusão, ao lado de nomes como Ana Moura e Expresso Transatlântico, Mike11 tem-se destacado na cena musical portuguesa pela forma como encaixa a guitarra portuguesa em beats de hip hop e melodias de R&B.

A promover o seu terceiro, e mais recente, álbum intitulado “Amor Maestro” (2025), Mike11 apresentou no NOS Alive 2025 um set especial onde não faltaram convidados. Numa articulação entre temas mais recentes como “Tudo Um Dia Passa”, “Amor Clandestino” e “Refúgio”, este último com a participação especial de Jaca, o seu repertório mais antigo como “Lisboa” e “My Tata” e ainda uma passagem pelos fados tradicionais com a colaboração da fadista Maura Airez e do viola Ivan Cardoso, Mike11 conseguiu trazer para o Palco WTF Clubbing um género que está habitualmente confinado ao Galp Fado Café.

Apesar da agitação que costuma ser o Palco WTF Clubbing, geralmente um local de passagem entre o Palco NOS e o food court e o Palco Heineken, Mike11 conseguiu reunir à sua frente um público respeitador que soube apreciar atenciosamente todas as nuances dos fraseados da sua guitarra portuguesa, bem como a sua entrega vocal que, independentemente do género em causa, revelou uma profunda alma fadista.

Aqui não interessa abordar os preciosismos sobre o que é Fado e o que não é, pois quando temos um jovem artista português como o Mike11 a tocar guitarra portuguesa com tanta intenção e veneração, só temos que ficar orgulhosos por termos artistas como este que continuam a dignificar não só a canção de Lisboa, mas também toda a música portuguesa.

The Teskey Brothers 

Já começa a ser habitual encontrarmos, todos os anos, na programação do NOS Alive pelo menos um artista cuja sonoridade remete para as músicas de raiz do cancioneiro americano. Foi assim com os City and Colour em 2023, com as Larkin Poe e os Nathaniel Rateliff & The Night Sweats em 2024 e agora com os The Teskey Brothers em 2025. 

Depois de termos assistido à sua estreia em Portugal no CCB, em 2023, foi com uma agradável surpresa que recebemos a notícia do seu regresso. Finalmente, um público mais vasto em Portugal iria descobrir esse diamante vocal da Austrália que é Josh Teskey. Na altura, quando entrevistámos Josh antes do concerto, o músico referiu-nos uma série de artistas que são influências da banda como os norte-americanos Otis Redding e Wilson Pickett e os australianos Chris WilsonGeoff Achison ou Max Merritt & The Meteors, porém não mencionou Freddie King, cujo tema “I Love the Woman” foi escolhido para dar início ao concerto.

Logo no primeiro tema, aqueles que sabiam ao que vinham mantiveram uma postura cool, mas sempre com um sorriso de aprovação, já aqueles que caíram de paraquedas no Palco Heineken ficaram de queixo caído com a voz soulful que Josh Teskey transporta. Na entrevista de 2023 falámos com o músico sobre a origem da sua voz ao qual nos respondeu: «Acho que para mim, o importante é cantar com emoção e paixão, independentemente do assunto sobre o qual estás a cantar. Todos os meus cantores favoritos fazem isso, e no contexto da performance ao vivo adoro demonstrar a minha vulnerabilidade perante o público.» E foi exatamente isso que fez no NOS Alive 2025, e sempre com uma humildade ímpar nos agradecimentos, com os braços cruzados sobre o peito a apresentarem-se como um símbolo de modéstia e respeito.

Como um duo de irmãos, Sam Teskey também teve o seu momento de protagonismo num extenso solo de blues repleto de feeling e com um tone de guitarra invejável que o músico conseguiu extrair da sua Fender Stratocaster e de um Fender ’68 Custom Deluxe Reverb. Mas, “Pain and Misery”, “Take My Heart”, “I Get Up” e, particularmente, “So Caught Up”, onde o vocalista se ajoelhou na frente de palco numa catarse vocal, foram todas de Josh.

De fora da setlist ficou, infelizmente, o magnum opus “Hold Me”, tema que costuma fechar os concertos dos The Teskey Brothers. O seu refrão orelhudo e profundo costuma começar no palco e progressivamente avança para o público. Existem até casos de concertos dos The Teskey Brothers em que o público já está fora da sala e mesmo assim continua a entoar o refrão entre abraços e danças, demonstrando a comunhão que um concerto destes irmãos invoca no seu público. Os fãs de longa data ainda ficaram à espera, mas a entrada dos roadies em palco ditou que não iríamos sair do Palco Heineken a entoar os versos «Hold me, don’t hold me down/ Carry me, but keep my feet on the ground».

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