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(c) Inês Barrau

NOS Alive 2025 | Muse, Um Concerto Para Ouvidos Que Vêm

Review

Voz
10/10
Banda
10/10
Som
7/10
Ambiente
7/10
Overall
8.5/10
Unravelling
Interlude
Hysteria
Stockholm Syndrome
Won't Stand Down
Thought Contagion
Psycho
Kill or Be Killed
Compliance
Madness
Plug In Baby
Unintended
United States of Eurasia
Hanging in Victory Square (Matt Bellamy Song)
Time Is Running Out
Supermassive Black Hole
Uprising
Knights of Cydonia
The 2nd Law: Isolated System
Undisclosed Desires
Prelude
Starlight

Numa ação promovida pela NOS e a Access Lab, o concerto dos Muse no NOS Alive 2025 serviu como teste da aplicação 5G Guia-NOS, uma ferramenta digital que permite às pessoas cegas experienciar a música ao vivo de uma forma mais inclusiva. Já no palco, por parte do trio britânico, foi “Showbiz” como sempre, com um espetáculo grandioso a nível sonoro, multimédia e pirotecnia.

Já não é a primeira vez que os Muse são convocados para um festival português para substituir uma baixa de peso no cartaz. Recordamos a edição de 2022 do Rock in Rio Lisboa quando uns muito aguardados Foo Fighters tiveram de cancelar a sua presença após o falecimento inesperado do seu baterista Taylor Hawkins. Em contra-relógio, tendo em conta que os cartazes de todos os festivais europeus já estavam há muito fechados, a solução passou por ir buscar os Muse a Inglaterra, pois a banda nem sequer estava na estrada.

Três anos depois, a banda de Matt Bellamy voltou a salvar o cartaz de outro festival português, desta vez o NOS Alive. Se em 2022 a discrepância da mudança foi aceite sem grande alarido, desta vez não podemos dizer o mesmo, pois a banda que teve que dar baixa foi nada mais nada menos que os Kings of Leon, um projecto norte-americana de indie rock/ rock alternativo cuja sonoridade muito pouco tem que ver com o rock de estádio apresentado pelos Muse.

As reclamações naturalmente começaram a surgir, afinal de contas os Kings of Leon já não metem os pés em Portugal há doze anos. Também é verdade que muitos acolheram bem a troca e em conferência de imprensa foi anunciado que a lotação estava esgotada.

Mas deixemo-nos de trocas de bandas e reclamações e foquemo-nos no concerto que atraiu grande parte da multidão que se deslocou ao Passeio Marítimo de Algés no terceiro e último dia do NOS Alive 2025.

Falar de NOS Alive sem falar de inclusão é algo praticamente impossível. Desde zonas para grávidas, a zonas para festivaleiros com mobilidade condicionada, há muito que o Alive se preocupa em receber todos aqueles que sentem a música ao vivo no coração, independentemente das suas problemáticas motoras, auditivas ou visuais. Depois de termos acompanhado o teste dos coletes sensoriais para surdos na edição de 2024, desta vez surgiu a oportunidade para que pessoas cegas pudessem “ver” o concerto dos Muse através da aplicação 5G Guia-NOS, um projeto desenvolvido pela NOS em parceria com a Access Lab. O funcionamento da app é simples. O utilizador só tem que apontar a câmara do telemóvel para qualquer ponto e depois é feita uma tradução da imagem em áudio descrição de forma a que a pessoa consiga percecionar o que está à sua volta.

Mal os Muse pisaram o Palco NOS e soltaram a épica “Unravelling” esses fãs puderam ter logo uma perspetiva diferente face aquilo que estavam habituados a experienciar num concerto ao vivo. Entre as labaredas intensas, não foi preciso muito tempo para repararmos em três elementos que merecem ser destacados: primeiro a homenagem do baixista Chris Wolstenholme a Diogo Jota, com o músico a envergar a sua camisola da seleção nacional; segundo os Muse estão a entrar numa fase de experimentação com géneros mais pesados como o djent e o metalcore, e terceiro, e diretamente relacionado com a segunda; Matt Bellamy já se rendeu ao fenómeno das guitarras de oito cordas utilizando em palco um protótipo de uma Mason cujas especificações não devem andar muito longe de uma Ibanez RGMS8.

Com um espetáculo de luzes magnânimo, mas com uma qualidade sonora algo desprestigiante, seguiram caminho com “Hysteria”, tema que evidenciou a qualidade de Wolstenholme como um dos melhores baixistas do rock e como um polivalente que cobre Bellamy como ninguém.

Com um espetáculo de luzes magnânimo, mas com uma qualidade sonora algo desprestigiante, seguiram caminho com “Hysteria”, tema que evidenciou a qualidade de Wolstenholme como um dos melhores baixistas do rock e como um polivalente que cobre Bellamy como ninguém. Já “Stockholm Syndrome” agarrou os mais dispersos com pozinhos de “Township Rebellion” dos Rage Against The Machine e “Endless, Nameless” dos Nirvana.

Sempre com o pé no pedal de fuzz é impossível não ficar contagiado com os riffs que Bellamy saca das suas Mason futuristas. “Psycho” não deixou o público com os pés no chão, tal é o poder daquele riff à la Depeche Mode. Já “Kill or be Killed” invocou um headbang colectivo de um público que não está muito habituado a movimentar a cabeça de forma tão violenta.

Já estávamos a meio do concerto e os maiores clássicos tardavam em chegar, até que Bellamy soltou a linha de guitarra que introduz “Plug In Baby”. Mas, não sem antes brincar com o público num jogo de “chamada e resposta” entre a sua guitarra e os fãs. Já após uma hora de alta descarga sonora, foi tempo de repousar o pescoço ao som da balada “Unintended” e do rock teatral das arábias “United States of Eurasia”.

Mais à frente, “Time Is Running Out” voltou a colocar o GPS dos Muse na rota dos clássicos do rock que qualquer ouvinte ocasional reconhece de imediato e que também incluiu a sensual “Supermassive Black Hole” e o hino “Uprising”.

Fãs de cinema, em particular dos spaghetti western de Sergio Leone, a banda terminou o set principal com “Knights of Cydonia”, que contou com uma introdução de “Man With a Harmonica”, composição de Ennio Morricone tocada por Christopher Wolstenholme. No regresso a palco para o encore, “The 2nd Law: Isolated System”, em versão remix, “Undisclosed Desires” e “Starlight” culminaram num momento de música e muito fogo de artifício, bem em jeito de brinde final do décimo sétimo concerto dos Muse em Portugal.

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