noah Kahan c ines barrau
(c) Inês Barrau

NOS Alive 2025 | Noah Kahan, A Banda Sonora da Melancolia

Review

Voz
10/10
Banda
8/10
Som
8/10
Ambiente
6/10
Overall
8.0/10
All My Love
Everywhere, Everything
She Calls Me Back
New Perspective
Deny Deny Deny
Northern Attitude
Maine
Dial Drunk
Your Needs, My Needs
The Great Divide
You're Gonna Go Far
Orange Juice
Call Your Mom
Stick Season
Homesick

Figura central do folk pop contemporâneo, Noah Kahan trouxe ao NOS Alive 2025 um concerto intimista para perto de 50 000 pessoas. Da melancolia à saudade, Kahan soube transformar o Passeio Marítimo de Algés numa sessão de terapia musical à volta de uma fogueira.

Noah Kahan, Myles Smith e Gracie Abrams, para muitos estes nomes podem soar desconhecidos, mas estes são, apenas e só, os nomes cimeiros de uma vaga de artistas que têm vindo a renovar o género do folk pop. As bases melódicas vêm de Seeger, Guthrie, Dylan, e Baez, mas a produção requintada e as camadas instrumentais e vocais são de Swift, Sheeran e Mayer, o que lhes dá uma proporção sonora desenhada para grandes salas e públicos.

O caso de Noah Kahan é interessante. Filho desta geração que já cresceu com as redes sociais e com o streaming, Kahan começou desde muito cedo a compor e a gravar música, mais precisamente aos oito anos. Fazendo uso das plataformas que tinha à sua disposição, publicou vários dos seus trabalhos no Soundcloud e Youtube onde foi ganhando reconhecimento. Porém, o seu primeiro contrato discográfico viria apenas aos vinte anos, idade em que assinou com a Republic Records.

Três álbuns depois e Kahan é agora um fenómeno em todo o mundo. A autenticidade com que mistura as raízes sonoras da América com a leveza da pop, assim como as suas letras em jeito de confessionário são elementos que aproximam o público desta estrela que, à semelhança de outras dentro do meio, parece viver bem longe de vedetismos.

Ao Alive, Kahan chegou como segundo cabeça de cartaz de um dia dominado por muitas mini Olivias. Ainda a viver do enorme sucesso de “Stick Season” (2022), Kahan veio apresentar o álbum na sua configuração expandida “Stick Season (We’ll All Be Here Forever)” (2023), com várias faixas bónus a surgirem na setlist. De fora ficou, surpreendentemente, qualquer material dos dois primeiros álbuns “Busyhead” (2019) e “I Was/ I Am2 (2021).

A instrumentação em palco não deixou dúvidas face ao género musical do artista. O bandolim logo em “All My Love” e o banjo, mais à frente em “Dial Drunk”, cordofones que definem a sonoridade folk, compareceram para dar a textura sonora que define o género. Bem disposto, Kahan não pareceu passar para o seu discurso todo o sofrimento e as lutas internas que explora nas suas letras, bem pelo contrário, soltando por vezes algumas larachas como aconteceu na ainda não lançada “The Great Divide”, que Kahan antecedeu com a indicação de que iria tocar uma música nova, por isso, se alguém precisasse de ir à casa de banho ou buscar cerveja, segundo o cantor, aquele era o momento certo.

Após vários pedidos ao longo do concerto para que Noah tocasse a deep cut “Call Your Mom”, o artista lá acedeu à vontade dos fãs num momento em que demonstrou mais uma vez a sua satisfação perante um público novo que ainda não tinha tido a oportunidade de experienciar a sua música ao vivo. Bem ao estilo de uns Blink-182, mas sem a mesma intenção, Kahan dedicou o tema a todas as mães. Da nossa parte, temos a dizer que se gerou uma certa risota quando percebemos a referência involuntária.

Com os fãs devotos concentrados na boca de palco, o ambiente que se sentiu ao longo do concerto no espaço em redor foi de uma certa dispersão. Sem grandes altos e baixos, o concerto desenrolou-se num tom monocórdico, o ideal para se ter como música de fundo enquanto se janta, como foi o caso de muitos festivaleiros. Foi preciso chegarmos à penúltima música, “Stick Season”, para, aí sim, termos uma reação efusiva que se traduziu num coro de vozes e num mar de telemóveis no ar.  Embalado, o músico fechou o concerto com “Homesick”, tema que deixou nos fãs a exata sensação que a letra descreve. Noah Kahan ainda não tinha saído do palco e as saudades já eram muitas em voltar a vê-lo em Portugal. Quem sabe se um concerto em nome próprio não está para breve…

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