Figura central do folk pop contemporâneo, Noah Kahan trouxe ao NOS Alive 2025 um concerto intimista para perto de 50 000 pessoas. Da melancolia à saudade, Kahan soube transformar o Passeio Marítimo de Algés numa sessão de terapia musical à volta de uma fogueira.
Noah Kahan, Myles Smith e Gracie Abrams, para muitos estes nomes podem soar desconhecidos, mas estes são, apenas e só, os nomes cimeiros de uma vaga de artistas que têm vindo a renovar o género do folk pop. As bases melódicas vêm de Seeger, Guthrie, Dylan, e Baez, mas a produção requintada e as camadas instrumentais e vocais são de Swift, Sheeran e Mayer, o que lhes dá uma proporção sonora desenhada para grandes salas e públicos.
O caso de Noah Kahan é interessante. Filho desta geração que já cresceu com as redes sociais e com o streaming, Kahan começou desde muito cedo a compor e a gravar música, mais precisamente aos oito anos. Fazendo uso das plataformas que tinha à sua disposição, publicou vários dos seus trabalhos no Soundcloud e Youtube onde foi ganhando reconhecimento. Porém, o seu primeiro contrato discográfico viria apenas aos vinte anos, idade em que assinou com a Republic Records.
Três álbuns depois e Kahan é agora um fenómeno em todo o mundo. A autenticidade com que mistura as raízes sonoras da América com a leveza da pop, assim como as suas letras em jeito de confessionário são elementos que aproximam o público desta estrela que, à semelhança de outras dentro do meio, parece viver bem longe de vedetismos.
Ao Alive, Kahan chegou como segundo cabeça de cartaz de um dia dominado por muitas mini Olivias. Ainda a viver do enorme sucesso de “Stick Season” (2022), Kahan veio apresentar o álbum na sua configuração expandida “Stick Season (We’ll All Be Here Forever)” (2023), com várias faixas bónus a surgirem na setlist. De fora ficou, surpreendentemente, qualquer material dos dois primeiros álbuns “Busyhead” (2019) e “I Was/ I Am2 (2021).
A instrumentação em palco não deixou dúvidas face ao género musical do artista. O bandolim logo em “All My Love” e o banjo, mais à frente em “Dial Drunk”, cordofones que definem a sonoridade folk, compareceram para dar a textura sonora que define o género. Bem disposto, Kahan não pareceu passar para o seu discurso todo o sofrimento e as lutas internas que explora nas suas letras, bem pelo contrário, soltando por vezes algumas larachas como aconteceu na ainda não lançada “The Great Divide”, que Kahan antecedeu com a indicação de que iria tocar uma música nova, por isso, se alguém precisasse de ir à casa de banho ou buscar cerveja, segundo o cantor, aquele era o momento certo.
Após vários pedidos ao longo do concerto para que Noah tocasse a deep cut “Call Your Mom”, o artista lá acedeu à vontade dos fãs num momento em que demonstrou mais uma vez a sua satisfação perante um público novo que ainda não tinha tido a oportunidade de experienciar a sua música ao vivo. Bem ao estilo de uns Blink-182, mas sem a mesma intenção, Kahan dedicou o tema a todas as mães. Da nossa parte, temos a dizer que se gerou uma certa risota quando percebemos a referência involuntária.
Com os fãs devotos concentrados na boca de palco, o ambiente que se sentiu ao longo do concerto no espaço em redor foi de uma certa dispersão. Sem grandes altos e baixos, o concerto desenrolou-se num tom monocórdico, o ideal para se ter como música de fundo enquanto se janta, como foi o caso de muitos festivaleiros. Foi preciso chegarmos à penúltima música, “Stick Season”, para, aí sim, termos uma reação efusiva que se traduziu num coro de vozes e num mar de telemóveis no ar. Embalado, o músico fechou o concerto com “Homesick”, tema que deixou nos fãs a exata sensação que a letra descreve. Noah Kahan ainda não tinha saído do palco e as saudades já eram muitas em voltar a vê-lo em Portugal. Quem sabe se um concerto em nome próprio não está para breve…















































