O Barracuda, Clube de Roque, recebeu, sem aviso prévio, uma ordem para fechar e é mais um espaço alternativo do Porto e do país obrigado a encerrar portas… por enquanto.
O Barracuda, um dos últimos redutos da contra-cultura e do rock ao vivo no centro do Porto, anunciou o encerramento através de um comunicado oficial publicado nas redes sociais, resumido num trocadilho amargo: “8 Anos de barulho, contra cultura… e entulho.” A promessa de voltar mais forte que nunca fica feita.
Segundo o texto divulgado pela organização do espaço, o fecho chegou sem qualquer aviso com antecedência. «Fecham-nos o nosso Barracuda sem qualquer aviso prévio, simplesmente um ‘a partir do próximo fim de semana não podes abrir’», lê-se no comunicado, que faz questão de sublinhar que a decisão nada teve a ver com a falta de adesão do público: não foi «por falta de público, não por falta de bandas, não por falta de alternadores, muito menos por falta de vontade.»
Não é a primeira vez que o espaço enfrenta contratempos deste género. De acordo com o mesmo comunicado, já em Janeiro, o Gare, entidade associada à gestão do imóvel, tinha transformado o Barracuda «num verdadeiro estaleiro de obra», deixando a sala «mais parecida com um armazém de entulho do que com uma sala de espectáculos», também sem aviso prévio.
Mesmo assim, o balanço destes oito anos é feito com orgulho: «Foram 8 anos incríveis, 8 anos de contra-cultura e muita vontade de provar que ainda há quem prefira uma guitarra a uma pista de dança», afirma a organização, que já tinha, entretanto, garantido um novo espaço para continuar o projecto, até o “destino” ter, nas suas próprias palavras, respondido: «Calma… ainda não acabámos.»
De facto, o problema persiste mesmo depois da mudança: segundo o comunicado, a nova casa trouxe consigo «uma instalação artística permanente», água a cair vinda do primeiro andar, depois de a senhoria ter decidido que fazer obras «era um conceito demasiado radical». O resultado, ironiza a organização, foi ficarem «com o nosso próprio concerto de gotas – entrada livre, acústica natural e sem necessidade de chatear o Pedro com cabos e microfones.»
O Barracuda nasceu em 2018, junto à estação de São Bento, pelas mãos de Duarte “Rodas”, antigo responsável pelo extinto Cave 45, que encerrou portas no final de 2017. Depois do fecho do espaço da Rua das Oliveiras, Duarte criou o Barracuda, dando continuidade a um percurso ligado à música e à noite portuense que já vinha desde os anos 90, quando abriu o Comix Bar, em Cedofeita. O clube tornou-se, ao longo de oito anos, um dos espaços de referência para o rock e para a música alternativa na cidade.
Fiel ao espírito de resistência que sempre caracterizou o espaço, os proprietários não desistem e anunciam o Bailarico Solidário Barracuda, no Woodstock 69, antes de enfrentarem «tantas obras, tribunais e infiltrações, chapar massa, pintar».
O programa está marcado para dois dias. No sábado, 3 de Outubro, a partir das 21h, sobem ao palco Sereias, The Wires e Mojo Bagz, com Ana Pacheco e Lynce a assegurar os discos. No domingo, 4 de Outubro, a partir das 16h30, é a vez de Dinamitz, Fuck It, Grito!, Idle Hand, Vürmo e Yaatana. Em ambos os dias, o bilhete custa 10€.
Assim que haja novidades da abertura do novo Barrucada, daremos notícias. Isto não é um adeus é um “Até já”!
