Os Ensaios da Anitta: A Imperatriz do Funk numa maratona carnavalesca de cinco horas
(c) Inês Barrau

Os Ensaios da Anitta: A Imperatriz do Funk numa maratona carnavalesca de cinco horas

O Passeio Marítimo de Algés transformou-se numa gigantesca pista de dança a céu aberto para receber de braços abertos a artista brasileira, Anitta.

Perante cerca de 30 mil pessoas, Anitta apresentou pela primeira vez fora do Brasil os seus Ensaios, levando até Lisboa um espetáculo concebido para celebrar a música, a energia do Carnaval e a diversidade cultural que caracteriza o seu percurso artístico.

À medida que o sol se punha sobre o Tejo, milhares de fãs enchiam o recinto com leques, brilhos e figurinos dos mais variados estilos, alguns bem mais elaborados do que os da própria artista. O ambiente pelas 18h30 antecipava uma noite que prometia ser muito mais do que um concerto. No centro da ação encontrava-se um palco de 360 graus, pensado para aproximar a artista do público e permitir que a festa acontecesse em todas as direções.

Ao longo de cinco horas (mais coisa menos coisa), Anitta conduziu uma viagem por diferentes momentos da sua carreira. O alinhamento percorreu o funk carioca, o pop latino, o reggaeton e os ritmos associados às grandes celebrações carnavalescas brasileiras. Temas como “Funk Rave”, “Meiga e Abusada”, “Bang”, “Downtown”, “Envolver”, “BELLAKEO”, “Vai Malandra”, “Boys Don’t Cry” e “Show das Poderosas” foram recebidos com entusiasmo por uma multidão que raramente deixou de cantar.

A componente internacional do espetáculo refletiu-se também nos convidados que passaram pelo palco. Bárbara Bandeira foi uma das primeiras a juntar-se à anfitriã da noite, interpretando “Fumaça” e “Carro”, antes de ambas partilharem “Zen”. Os Calema trouxeram consigo alguns dos seus temas mais populares, entre os quais “Te Amo”, “A Nossa Dança” e “Amar Pela Metade”. Mais tarde, Viviane Batidão participou em “Só pra Tu”, enquanto Fred De Palma protagonizou um dos momentos mais aguardados da noite com “Un Altro Ballo”, “Paloma” e “LA TESTA GIRA”.

O concerto serviu igualmente de montra para uma nova fase da carreira da cantora. Entre sucessos já consolidados surgiram temas mais recentes e canções ainda pouco conhecidas do grande público, incluindo “Você Já Sabe” e “Sal Grosso”, revelando pistas sobre os próximos passos do seu percurso musical.

Uma das imagens mais marcantes da noite foi a homenagem às sonoridades que moldaram gerações de foliões no Brasil. Clássicos como “Flor do Reggae”, “Beleza Rara”, “Arerê”, “Levada Louca”, “Carro Velho”, “Cadê Dalila?” e “Maimbê Dandá” deram ao espetáculo um ambiente de Carnaval fora de época, transformando Algés num espaço onde diferentes gerações se encontraram através da música.

Visualmente, a edição “Cosmos” apresentou uma estética inspirada no imaginário místico e simbólico que acompanhou os Ensaios ao longo de 2026, co m um figurino inspirado na carta “A Imperatriz”. Esperávamos mais produção ao nível de cenário e palco ou pelo menos pareceu-nos um pouco “ruídosa” a forma como os músicos da banda estavam concentrados no centro do palco, apenas com t-shirts pretas.

Depois de quase 90 músicas, os rostos iluminados pelos ecrãs dos telemóveis, os abraços entre amigos, as danças improvisadas e a emoção visível junto ao palco contam uma história paralela à da atuação. Mais do que um concerto, os Ensaios da Anitta afirmaram-se como uma celebração coletiva da música, da cultura popular e da comunidade LGBT, assinalando em Lisboa um novo capítulo na expansão internacional de um dos projetos mais ambiciosos da artista brasileira.