estadios ruidosos

Os estádios mais barulhentos do mundo: quando o som vira arma competitiva

29/11/2025

Há jogos que ficam na memória não apenas pelo resultado ou incidência da partida, mas pelo ambiente ensurdecedor criado nas bancadas. Conheça os estádios com o recorde de decibéis.

O rugido dos adeptos, os cânticos coordenados, o impacto coletivo de dezenas de milhares de vozes: tudo isso é traduzido em decibéis que podem literalmente influenciar o resultado de uma partida. Mas afinal, qual é o estádio mais barulhento do mundo? E como se mede, de forma precisa, esse fenómeno acústico que se tornou parte fundamental da experiência do futebol moderno?

Como se mede o barulho de um estádio?

Para medir o resultado de uma fonte de ruído de um evento, são utilizados decibelímetros profissionais, dispositivos com microfone que captam o som emitido, com a ajuda de um calibrador ajustável consoante o objetivo dessa medição. A escala de ruído varia, grosso modo, entre 10 a 140 decibéis.

Até aos 50, estamos, por exemplo, a falar de uma biblioteca; entre 50 a 80, de um restaurante cheio; entre 80 e 100, de tráfego urbano intenso; entre 100 e 120, um avião a passar nas proximidades; e acima de 120, concertos específicos ou outros eventos, como são exemplos alguns jogos de futebol, que andam em média à volta dos 100 dB.

O 12º jogador: como o barulho influencia o jogo

Se há expressão com grande peso nos discursos de agentes desportivos ligados ao futebol é a do “12.º jogador”, o elemento-extra, que está sempre fora das quatro linhas. Seja ele membro de uma claque organizada, “super-ultra” ou apenas casual, esse é o adepto que todas as equipas de futebol precisam.

E há estudos que demonstram que níveis sonoros superiores a 120 decibéis, como acontece em alguns momentos em estádios de futebol e jogos mais “concorridos”, podem dificultar a comunicação entre os jogadores. E claro que, nesses casos, os jogadores da equipa visitante são os que mais “sofrem”, porque estão longe de casa e do conforto habitual dos seus ouvidos.

No mercado da previsão de eventos desportivos, sem surpresa, o fator-ruído (ou fator casa) é cada vez mais tido em conta. A sua influência é tão grande, que os especialistas em previsões como a Sportytrader Portugal consideram cada vez mais vezes este tipo de informação. Um aspeto levado muito a sério, visto que os níveis sonoros podem, de forma efetiva, influenciar o desempenho de uma equipa e, consequentemente, o resultado de um jogo.

E não se tenha a menor dúvida disto: no final da grande maioria das grandes competições de futebol e de outras modalidades coletivas (com formato de pelo menos duas voltas, casa e fora), contabilizando os jogos que não terminaram empatados, mais de 50 por cento deles são vencidos pela equipa da casa.

Há outras vantagens mais “visíveis” dessa condição de equipa visitada (as dimensões do campo, a organização “parcial” do espetáculo, que é afeta à equipa da casa, etc), mas os níveis sonoros “libertados” por quem está em casa podem, de facto, influenciar o normal e neutro desenrolar dos acontecimentos.

O Top 5 dos recordes mundiais de decibéis em estádios

Olhamos para o top 5 de estádios com o momento mais “ruidoso” da história. Fora deste top 5, mas entre os recordes, estão registos do Celtic Park (na Champions, num Celtic-Leipzig, em 2024) e um jogo da década de 80 no icónico Maracanã, no Rio de Janeiro.

5 – Turk Telekom Stadium, Istambul, Turquia, 131 dB (2011), num jogo do Galatasaray frente ao Fenerbahce.

4 – Memorial Stadium, Clemson, Carolina do Sul, 132,8 dB (2007), num jogo universitário da ACC do futebol americano.

3 – Husky Stadium, Seattle, Washington, 133,6 dB (1992), num jogo universitário dos Washington Huskies.

2- CenturyLink Field, Seattle, Washington, 137,6 dB (2013), num jogo dos Seattle Seahawks.

1- Arrowhead Stadium, Kansas City, Missouri, 142,2 dB (2014), num jogo dos Kansas City Chiefs (NFL), num estádio com desgin em forma de taça, que reflete o som diretamente para o relvado. Registo reconhecido pelo Guinness World Records.

Arquitetura acústica e a amplificação “natural” do som

Nem todos os estádios têm a mesma estrutura e nem todos têm a mesma capacidade e arquitetura acústica para potencializar o ruído que “fabricam”. Se o estádio é em forma de taça, com ou sem concavidade, se as bancadas estão ou não muito próximas do relvado, se o estádio é coberto na maior parte das bancadas (como acontece no Signal Iduna Park, em Dortmund, por exemplo).

Um campo mais “afundado” amplifica necessariamente o som que é emitido e utiliza microfones para processar o som e devolvê-lo através de caixas acústicas, dando a sensação de que esse som é produzido apenas pela multidão. Em todo o caso, o som gerado num estádio de futebol é contido por meio de coberturas e com o recurso a isolantes acústicos de vários géneros. O desafio é “trabalhar” a acústica do estádio consoante o evento em causa, porque os cuidados a ter num jogo de futebol são bem diferentes dos de um concerto.

PRÓXIMOS EVENTOS