Palheta Bendita celebra 20 anos de multiculturalidade e inclusão com concertos, feira de construtores de instrumentos, oficinas, entre outras iniciativas.
De 12 a 14 de junho, o Parque Urbano de Geão, em Santo Tirso, recebe nove projetos musicais, provenientes de Portugal, Índia, África do Sul e Rússia, uma feira de construtores de instrumentos, um espetáculo comunitário com foco na música cigana, uma exposição fotográfica e várias oficinas, nomeadamente de construção de cabeçudos, cantos tradicionais ou experimentação de sanfona, só para nomear alguns.
Durante três dias, o Palheta Bendita regressa com uma programação rica e diversa, reorçando a sua missão de promover a interligação de culturas e práticas musicais de todo o mundo. Nas palavras de Napoleão Ribeiro, porta-voz da organização, «celebramos esta 20ª edição, com uma programação reforçada e, acima de tudo, um espaço ainda mais inclusivo, onde partilhamos conhecimento, celebramos as heranças culturais e promovemos a multiculturalidade».
Criado em 2005, a partir de oficinas de afinação de gaitas-de-fole na Escola de Música da Ponte Velha da Associação Cultural Tirsense, o Palheta Bendita integra desde 2009 uma feira dedicada a construtores de instrumentos populares e históricos, tornando-se uma referência na violaria nacional e espanhola e um espaço de culto para profissionais e entusiastas.
Já nos concertos, entre os destaques deste ano, estão atuações que exploram a música cigana em diferentes geografias, com projetos oriundos da Índia, Dhoad Gypsies of Rajasthan, e do leste europeu, Dobranotch, bem como uma residência artística que junta o músico brasileiro Frankão, «O Gringo Sou Eu», e o projeto Sons do Bairro à comunidade cigana local. Desta colaboração vai nascer um espetáculo original que reúne músicos de diferentes etnias, reforçando o papel da música como ferramenta de integração.
Há também uma forte presença do folk português, com projetos como Alma Menor, O Gajo e Palankalama, e ainda, as polifonias femininas de Portugal, representadas por Sopa de Pedra, cujo repertório recupera tradições de canto ligadas ao trabalho e à memória coletiva. A programação musical fica completa com o afro-psicadelismo dos sul-africanos BCUC, «Bantu Continua Uhuru Consciousness», e o super grupo Baque Flores do Porto.
Uma das principais novidades desta edição é a parceria com três entidades da imprensa local, que vão desenvolver um projeto de entrevistas a imigrantes locais do Indostão e América do Sul, bem como a emigrantes de Santo Tirso radicados na Europa Central. Com o objetivo de dar visibilidade a histórias de vida marcadas pela procura de melhores condições noutros países, este trabalho vai resultar numa série de conteúdos em vídeo e em papel, bem como numa exposição fotográfica a apresentar no recinto do festival.
O público pode também participar em diversas oficinas, desde construção de cabeçudos a experimentação de instrumentos tradicionais como sanfona, gaita-de-fole, maracatu e adufe, e ainda, workshops de canto e tablas. A programação estende-se também ao novo circo, com um espetáculo dirigido a famílias, animação de rua e momentos de improvisação musical, numa verdadeira foliada.
À 20ª edição, o Palheta Bendita promete um ambiente acolhedor, diversidade artística e cruzamento de culturas, reafirmando-se como um espaço único de encontro entre tradição, inovação e comunidade. A entrada é livre.

