R.I.P Dolly Parton

R.I.P Dolly Parton

25/08/2026

Faleceu a voz que transformou a música country. Dolly Parton tinha 80 anos e a causa de morte não foi, para já, revelada.

Dolly Parton faleceu no dia 25 de agosto, aos 80 anos, em Nashville. A morte da cantora, compositora e actriz foi confirmada pela família através das suas redes sociais, num vídeo publicado pelo sobrinho Bryan Seaver. A causa da morte não foi divulgada.

Durante mais de seis décadas, Dolly Parton fez muito mais do que construir uma carreira de sucesso na música country. Tornou-se uma personagem maior do que o próprio género, uma compositora respeitada por gerações de músicos e uma das figuras mais reconhecíveis da cultura norte-americana.

Poucas carreiras conseguem reunir canções tão populares, uma identidade tão forte e uma capacidade tão extraordinária para permanecer relevante ao longo de décadas. Dolly conseguiu-o sem nunca abandonar as suas raízes.

Nascida em 1946, numa pequena comunidade das montanhas do Tennessee, Dolly cresceu numa família pobre e numerosa, num ambiente onde a música fazia parte da vida quotidiana. Começou a escrever canções ainda criança e, adolescente, já actuava em rádio e televisão. Depois de terminar o liceu, partiu para Nashville com uma guitarra e a ambição de viver da música.

Parton começou por afirmar-se como compositora e rapidamente percebeu que as suas canções podiam chegar muito mais longe do que a sua própria voz. “Jolene”, “Coat of Many Colors”, “9 to 5” e “I Will Always Love You” são apenas algumas das composições que ajudaram a definir uma carreira extraordinária. “I Will Always Love You”, escrita por Dolly em 1973, ganharia uma segunda vida através de Whitney Houston, tornando-se uma das canções mais conhecidas da história da música popular.

A sua voz aguda e imediatamente reconhecível, o cabelo volumoso, os vestidos brilhantes, o humor e uma imagem pública que assumia sem complexos todos os excessos do espectáculo transformaram-na numa figura impossível de confundir.

Ao longo dos anos, atravessou as fronteiras da country, chegou ao cinema e à televisão, criou o parque temático Dollywood e construiu um império empresarial. No cinema, participou em filmes como “9 to 5” e “Steel Magnolias”, enquanto na música continuou a trabalhar com artistas de diferentes gerações e universos.

A sua influência também se estendeu muito para além do entretenimento. Através da Imagination Library, programa criado em 1995, milhões de crianças receberam livros gratuitamente. A artista apoiou ainda investigação médica, educação e várias iniciativas de emergência e solidariedade.

Foi também uma das poucas estrelas capazes de atravessar gerações sem deixar de ser reconhecida como sua. Para alguns, era a rainha da country. Para outros, a autora de “Jolene”. Para outros ainda, a actriz de “9 to 5”, a mulher por detrás de Dollywood ou simplesmente aquela figura de cabelo loiro e sorriso permanente que parecia existir desde sempre.

Nos últimos meses, a actividade de Dolly tinha diminuído devido a problemas de saúde. A artista cancelou a residência que tinha prevista em Las Vegas e falou publicamente sobre as dificuldades físicas que atravessava. Poucos dias antes da sua morte, numa entrevista, admitia que continuava a ter projectos e coisas que queria concretizar, apesar do momento particularmente difícil que estava a viver.

A sua morte deixa uma ausência particularmente difícil de preencher porque Dolly Parton não pertenceu apenas à country. Pertenceu à música popular, à cultura americana e, sobretudo, às pessoas que encontraram nas suas canções histórias que pareciam falar directamente consigo.

Dolly veio de um lugar onde havia pouco dinheiro, mas muita música. Transformou essas histórias em canções que viajaram pelo mundo e construiu, a partir delas, uma carreira que poucos artistas conseguiram igualar.

Deixou-nos canções que continuarão a cantar depois dela.