Gary “Mani” Mounfield, histórico baixista dos Stone Roses e dos Primal Scream e uma das figuras centrais da cena Madchester, morreu aos 63 anos. A notícia foi avançada pela família, que não revelou a causa da morte.
Considerado um dos baixistas mais influentes do rock britânico, Gary Mounfield foi peça fundamental na identidade sonora dos Stone Roses. O álbum de estreia da banda, editado em 1989, permanece entre os mais celebrados da música britânica, com temas como “I Wanna Be Adored” e “I Am the Resurrection”, alicerçados no estilo inconfundível do músico.
Nascido em Crumpsall, Manchester, em 1962, Mani formou uma primeira banda com John Squire e Andy Couzens, antes da entrada de Ian Brown e da transformação do grupo nos Stone Roses. A banda tornou-se uma das pioneiras do movimento Madchester, que marcou a cultura musical e artística de finais dos anos 80.
Após a primeira dissolução dos Stone Roses em 1996, o baixista juntou-se aos Primal Scream, contribuindo decisivamente para álbuns como “Vanishing Point”, “XTRMNTR” e “Evil Heat”. Em 2011, regressou aos Stone Roses para uma reunião muito aguardada, que incluiu concertos esgotados e o lançamento dos singles “All for One” e “Beautiful Thing”, antes de nova separação em 2017.
Gary Mounfield vivia um período particularmente duro da sua vida pessoal: a esposa, Imelda, morreu em novembro de 2023, vítima de cancro do intestino. O casal tinha dois filhos gémeos, nascidos em 2013. Entre as muitas mensagens de apoio à família, Shaun Ryder e Rowetta, dos Happy Mondays, deixaram palavras de carinho e solidariedade.
A morte de Gary motivou uma onda de tributos de colegas, amigos e fãs. Ian Brown, vocalista dos Stone Roses, evocou o antigo companheiro de banda com a mensagem: «Rest in peace, Mani». Também a banda publicou uma homenagem, descrevendo-o como «o melhor baixista e amigo que poderíamos ter desejado». Liam Gallagher, dos Oasis, afirmou estar “devastado”, recordando-o como “meu herói”.
Tim Burgess, vocalista dos The Charlatans, chamou-lhe «one of the absolute best in every way» e destacou a amizade profunda que os unia. Ian McCulloch, dos Echo & The Bunnymen, revelou estar «em choque», dizendo que Mani era alguém que amaria «sempre, profundamente e para sempre, como um irmão.»
Curiosamente, no mês passado, Mani revelava entusiasmo pelo futuro numa entrevista ao podcast Rockonteurs, dizendo estar «num ótimo momento» e «cheio de vontade de voltar aos palcos», um testemunho da sua energia e paixão inabaláveis pela música.
Carismático, generoso e profundamente respeitado pelos seus pares, Gary “Mani” Mounfield deixa um legado incontornável na música britânica. Para muitos, será lembrado como «um dos melhores de sempre — em todos os sentidos».
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