10 000 Russos é um estilo de vida

10 000 Russos é um estilo de vida

2016-04-15, Teatro do Bairro, Lisboa
Tiago da Bernarda
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O duo feito trio apresentou o seu novo set durante o primeiro dia do Lisbon Psych Fest, em Lisboa.

A Fuzz Club Records trouxe-nos os Underground Youth, cabeça de cartaz do primeiro dia do Lisbon Psych Fest, e TAU, no dia seguinte, mas assegurou também a presença da sua contratação portuguesa. São estes os 10 000 Russos que, desde o lançamento do seu álbum homónimo, já nos habituaram à sua mais recente formação tripartida.

Desde então, tudo mudou e nada mudou. Portadores de um rock desfigurado por brincadeiras de reverb, delays e feedback, os 10 000 Russos conseguiram manter um bom pedaço daquele misticismo fuzz que tornou o seu primeiro EP tão apelativo. Agora com André Couto, baixista, conseguiram transformar o seu rig cacófono em algo dançável com boas doses de groove. Aquelas referências Sonic Boom/Spacemen 3 mantêm-se, mas agora ouvimos no novo set ritmos contagiantes que podiam ter saído de um dos discos de Underworld dos anos 90.

Uma tarefa nada fácil, quando tens colegas de banda tão imprevisíveis.

E essa linha de baixo é importante para perceber o novo som de 10 000 Russos. Porque enquanto vê-mos Pedro Pestana debruçado num pedal rug (puxando ainda pelas referências a Big Lebowski) e Joca a disparar lasers vocais em todas as direcções, a prestação de André é a única constante no set apresentado (“It really tied the room together”). Uma tarefa nada fácil, quando tens colegas de banda tão imprevisíveis.

Mesmo assim, ninguém conseguiu tirar o protagonismo de Joca. Pode não ser o motor que puxa o engenho, mas é, sem dúvida, a cabeça daquele Mega Zord de três peças. Sentado, apresentou o que pareciam ser letras mais pop e “angsty” num espectro que passava de “We’re all gonna die” a “I need some love”.

Seja qual for o caminho que a banda tencione seguir, tudo aponta para algo mais pensado, menos nublado e dentro do seu elemento.

Foto: Betânia Liberato