A Pangeia de Jain

A Pangeia de Jain

2018-07-12, Passeio Marítimo de Algés, NOS Alive
António Maurício
Inês Barrau
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No palco Sagres, fez-se fumo e fogo. A voz de Jain adapta-se a qualquer uma das situações, desde o dancepop de “Dynabeat”, passando pelo flow electrónico de “Star”, até ao pop mais substancial de “Alright”.

Jain é francesa, mas a música que produz e apresenta ao vivo encontra influências de todo o mundo. As letras são cantadas em inglês, as produções electrónicas levam-nos até aos subúrbios de Paris e a interacção com o público encontra aproximações com o hip-hop americano.

Em palco, apresenta-se singularmente, acompanhada por: uma caixa de ritmos no meio do palco com um microfone em suporte e um microfone sem-fios na mão. Transmite autoridade e controla o público com facilidade, pouco tempo antes de uma queda de energia provocada pelos drops, onde os graves imperam e a intensidade aumenta repentinamente, Jain faz a contagem decrescente.

Em qualquer set electrónico genérico, isto seria meio cliché e, portanto, previsível, mas não é o caso neste concerto. Aqui são situações cuidadosamente temporizadas, acontecem pontualmente e estão intercaladas entre os refrões e momentos calmos. O público reagiu em conformidade, respondendo com níveis de dança surpreendentes para o horário prematuro das 18:50 (só podemos imaginar como seria a meio da noite, com o público previamente “aquecido”). A interacção com a audiência foi pólvora para este fogo: falou constantemente entre as faixas, ensinou o hino pegadiço de “Makeba” antes da derradeira performance, incentivou a dançar através de movimentos próprios e fez a clássica competição de barulho entre a esquerda e a direita do público.

E no palco Sagres, fez-se fumo e fogo. A voz de Jain adapta-se a qualquer uma das situações, desde o dancepop de “Dynabeat”, passando pelo flow electrónico de “Star”, até ao pop mais substancial de “Alright”. Chave de ouro entre todas esta músicas? Os refrões, porque são altamente incisivos. Quem sabe, canta, quem não sabe, quer cantar. E o trabalho vocal que, essencialmente, é o coração num concerto desta natureza, destacou-se com uma excelente propagação de agudos entre as manipulações sonoras na caixa de ritmos, a sonoridade altamente marcada por sintetizadores, a guitarra e as maracas que utilizou para gravar um loop ao vivo.

SETLIST

  • On My Way
    Heads Up
    Star
    Dynabeat
    Alright
    Flash
    Come
    Paris
    Inspecta
    Makeba