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Centauri

Draco

Nischo, 2018-03-18

EM LOOP
  • Elon Musk Go
  • 3 Para 3
  • Alpha
Nero

André Fernandes comanda um portentoso quintento na busca pelo transcendente da arte através da improvisação. Uma dupla de saxofones eleva a imaginação e uma secção rítmica demolidora propulsionam-na.

No espectacular filme de John Boorman, “Excalibur”, Merlin descreve o Dragão a Artur. Uma besta imensa, de tremendo poder, que se fosse vista na sua totalidade, mesmo que num único vislumbre, nos reduziria a cinzas. «Está em todo o lado! É todas as coisas! As suas escamas reluzem nas cascas árvores, o seu rugido escuta-se no vento! E a sua língua bifurcada é como um relâmpago», assim diz o mitológico mago.

Em “Draco”, o quintento de músicos debruça-se sobre esse transcendente de onde brota a arte. André Fernandes, João Mortágua, José Pedro Coelho, Francisco Brito e João Pereira usam formas pilares do jazz e do rock para percorrerem trilhos de improvisação livres de barreiras. E é nos movimentos menos formatados que mais vibrante se torna o disco, em contraponto com as amarras que se sentem nos músicos em “Fingers”, original de Ty Segall, ou “Onáceo”.

E se todos os músicos são estelares na sua performance, Fernandes apresenta-se discreto, apesar da sua autoria nas composições. São os saxofonistas, Mortágua (alto) e Coelho (tenor), que promovem as viagens astrais mais vibrantes e os momentos de maior fantasia enquanto percorremos este álbum dragão, numa viagem alimentada pela propulsão de Brito (contrabaixo) e Pereira (bateria), que em momentos como “Elon Musk Go”, nos finais de “3 Para 3” e de “Inhale” (aqui já com a soma de distorção na guitarra), e na retro rocker “Alpha”, chega mesmo a ser demolidora.

Gravado na casa do guitarrista, o estúdio Timbuktu, tem mistura (sublime, diga-se) de Pete Rende e uma extraordinária capa de Carlos Azevedo, entre as melhores do ano, tal como o disco em si.