O espectro de Bowie na Aula Magna com Peter Murphy

O espectro de Bowie na Aula Magna com Peter Murphy

2016-05-16, Aula Magna
Miguel Graça
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Peter Murphy revisitou Bauhaus e homenageou Bowie na Aula Magna em Lisboa.

Quando Peter Murphy anunciou a canção “Indigo Eyes” já o público estava rendido à noite luzidia do vocalista dos lendários Bauhaus. Sem demasiada euforia, mas com muita crença no mitológico possível espectro de Bowie, o príncipe das trevas e da musicalidade pós-punk e gótica, regressou a Lisboa deixando um público entusiasmado a cada canção entoada, ainda que órfão de “Cuts You Up” ou um expectável “All We Ever Wanted”, hino seminal dos Bauhaus. Em formato mais acústico, ora de pé, ora sentado, acompanhado por mais três elementos (baixo/violino, guitarra e bateria), encheu de sombra, morte, vida e luz o palco da Aula Magna.

E a “Indigo Eyes” seguiu-se a poderosa “All Night Long” e a antológica “Marlene´s Dietrich Favourite Poem”, como se quisesse render o público logo nos primeiros minutos do concerto. A esta seguiu-se “Bewlay Brothers”, uma canção de David Bowie rendendo a legítima homenagem àquele que porventura é a Imagem de que Murphy é o espectro. E a seguir em apoteose antes do tempo, “Strange Kind of Love” ou a música mais emblemática da carreira a solo de Murphy.

De seguida, seguimos viagem para releituras de canções de Bauhaus e lá estávamos todos outra vez em “Silent Hedges” ou no inesperado, mas electrizante, “She´s in Parties”, também uma das músicas mais conhecidas e celebradas das noites da adolescência de muitos dos que assistiam. E sob o signo de “Lion” foi terminando um espectáculo conceptual e orgânico, que demonstrou que o cantor de 58 anos continua a projectar, com a voz , cavernas, florestas e ruas escuras, noites de galáxias imensas, terminando a cantar a capella “Cool, Cool Breeze”, para deleite dos nostálgicos.