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Biffy Clyro

Ellipsis

14thFloor | Warner Bros., 2016-07-08

EM LOOP
  • Animal Style
Hugo Tomé

Nem sempre escrever sobre música é fácil, justo ou engraçado. Aliás, por vezes, escrever sobre música consegue mesmo ser altamente complicado, injusto e ingrato. Ingrato para músicos e “opinadores”. Ingrato para simples ouvintes ou altos conhecedores. Os Biffy Clyro já foram um amor. Hoje já não são.

O tempo não volta atrás, e quem tem acompanhado o trio escocês ao longo destes anos, certamente, já percebeu que dificilmente voltará a ser presenteado com um disco como “Blackned Sky”, “The Vertigo Of Bliss” ou “Infinity Land”. “Ellipsis” é o espelho do crescimento de uma banda que, ainda há “dois dias”, tocava para cem pessoas, no King Tut’s, em Glasgow, e hoje toca para cem mil, como cabeça de cartaz no T in The Park.

Há falta de quase tudo, “Ellipsis” tem falta de encanto, destreza e chama.

É o reflexo de quem parece ter deixado completamente de lado o virtuosismo e a sinceridade como misturava fortes progressões de guitarra com refrões “highschool” altamente radiofónicos. É o reflexo de quem um dia fez post-hardcore e “college rock” de espírito “noventeiro”, para agora fazer um “indie pop brit shit” massificado e festivaleiro. Há falta de quase tudo, “Ellipsis” tem falta de encanto, destreza e chama. Restam aos Biffy Clyro as cinzas do passado e um velho “statement”…

…”Big Imagination For Feeling Young Cos’ Life Yearns Real Optimism!”…