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Biffy Clyro

Opposites

14thFloor | Warner Bros., 2013-01-28

Hugo Tomé

Longe vão os tempos em que os Biffy Clyro eram apenas uma banda de Ayrshire na Escócia, que desde a “highschool” foram promessa ganha em caminhos de Rock Alternativo/Progressivo com uma primeira metade discográfica que passou despercebida a mais de meio mundo.

Depois de Puzzle (álbum inteiramente dedicado ao desaparecimento da mãe do vocalista/guitarrista/compositor Simon Neil) e Only Revolutions (baseado no livro com o mesmo título do escritor americano Mark Z. Danielewsky), o estilo abstracto que diferenciava o mundo “Biffyano” dos demais foi perdendo sentido em prol de uma progressão sonora mais acessível, reconhecível, tentadora (particularmente neste último) e que hoje, no final da segunda metade discográfica, com o duplo álbum Opposites os Biffy Clyro são uma banda voltada claramente para o Mainstream.

Nada disto é inédito, especialmente para quem quer fazer disto vida, e nada disto se parece com a queda livre dos Muse, só a título de exemplo. Opposites ainda desfila o modelo verso-refrão-verso, as variações rítmicas constantes, e as notas dissonantes de “Sound Like Ballons”, “Victory Over The Sun” e “Modern Magic Formula”, imagem de marca de Blackened Sky, The Vertigo Of Bliss e Infinity Land. Todavia, a partir daqui, encontrar neste último duplo álbum mais referências com os 3 primeiros, é tão difícil quanto resistir à notícia que Opposites vendeu 75 mil cópias só na primeira semana. Mais uma vez, nada disto é de estranhar, temas como “Different People”, “Black Chandelier”, ou “The Joke On Us” são dinâmicos e atraentes de sobra para muitos ouvidos, da mesma forma que inevitavelmente “Many Of Horror” tinha de chegar a todo o lado, nem que fosse na versão merdosa de Matt Cardle. O problema é que quanto maior é a ambição, maior é a desilusão, e Opposites também tem claros momentos batidos, repetitivos, e pouco conseguidos como “A Girl And His Cat”, “The Fog”, “Trumper Or Trap”, ou “Woo Woo”, que mais do que acrescentarem pouco ao conceito “opostos”, deixam a sensação que Opposites ficava melhor servido se fosse um disco só.

Uma coisa é certa, ao sexto álbum os Biffy Clyro finalmente atingiram o reconhecimento geral que os coloca no nível há muito merecido. Se Opposites era a confirmação que faltava, seguramente não, se era o objectivo há muito procurado, seguramente sim, whatever! Big Imagination For Felling Young Cos’ Life Years Real Optimism, Mon The Biff!