Black Label Society

2012-06-14, Hard Club, Porto
Nero

Os Tracer abriram o concerto e contaram com um Hard Club já praticamente cheio, de pessoas e calor, para surgirem cheios de força e confiança no seu set. Anteciparam o horário de actuação para poder tocar pelo menos meia-hora. 30 minutos que voaram a ver um dos melhores power trios que tive oportunidade de ver nos últimos tempos, numa fusão entre stoner e southern rock, com um sentido de rock clássico. Tremendos músicos tecnicamente e ainda o bónus de ouvir uma boa versão de “War Pigs”! Se, como eu, não conhecem esta banda vão imediatamente tentar descobri-la. Soube a pouco, o pouco tempo que estiveram em palco.

Contudo, não houve frustração. Numa altura em que o Hard Club a deitar por fora se preparava para vir abaixo, com barris de cerveja já a esgotar, surgem sirenes e a intro em piano de “New Religion” do álbum “Shot To Hell” e a atenção centra-se toda nas cortinas que tapavam o palco.

Iniciam-se os acordes da poderosa “Crazy Horse” e a aclamação torna-se automática, para quando a abertura das cortinas revelar um Zakk Wylde com um warbonnet índio (tal como a caveira na capa de “Order of the Black”), se tornar avassaladora.Demolidora, a banda prossegue com “Funeral Bell” e depois coloca o Hard Club a berrar “Bleed for me, I’ve bled for you”. O Porto irá continuar a berrar “Demise of Sanity”, “Overlord” e “Parade of the Dead”, entre corrida aos barris e atenta devoção a um guitarrista que se conseguiu tornar num grande frontman. Convenhamos, Slash ou Eddie Van Halen não surgem a cantar, e a puxar e comunicar com o público no espaço mínimo de riffs rasgadinhos – não pretende estabelecer-se comparações, mas apenas afirmar que Zakk Wylde deixou de ser o homem sombra de Ozzy e se tornou um frontman carismático.

 

Quando é motando o Kurzweil no palco o titã das seis cordas apresenta o baixista John DeServio (companheiro ainda dos tempos de Pride & Glory), Chad Szelinga na bateria e na outra Gibson, Nick Catanese que irá fazer o solo de “In This River”, que Wylde toca ao piano e com a dupla parede de stacks Marshall, em cada lado da bateria, coberta por imagens de Dimebag Darrel – no final da balada o Hard Club entoa o nome do saudoso guitarrista.

Depois “Fire it Up” antecede algo como 15 minutos de shred! Alguns leaks já conhecidos de actuações gravadas, mas uma torrente de velocidade e notas sem um único “fuck up”! E depois a tremenda (a roçar o thrash) “Godspeed Hell Bound” faz estremecer as fundações do Mercado Ferreira Borges. A partir daqui o fim aproxima-se rápido demais. “Blessed Hellride” (com um par de double-necks), a apoteótica “Suicide Messiah”, “Concrete Jungle” e “Stillborn”.

Curioso como, nos álbuns de BLS, Zakk Wylde procurou afastar-se do som de guitarra clássico que desenvolveu, acima de tudo, em álbuns como “No Rest for the Wicked”, “No More Tears e “Ozzmosis”, mas ao vivo o seu som se torna tão próximo desses tempos com Ozzy Osbourne. Com o phaser a abrir um pouco a guitarra, aquele overdrive único… Um grande concerto numa grande sala!

 

SETLIST

  • Crazy Horse
  • Funeral Bell
  • Bleed for Me
  • Demise of Sanity
  • Overlord
  • Parade of the Dead
  • In This River
  • Fire it Up
  • Godspeed Hell Bound
  • The Blessed Hellride
  • Suicide Messiah
  • Concrete Jungle
  • Stillborn