Blood Orange, Super Eros

Blood Orange, Super Eros

2014-05-30, Parque da Bela Vista
Nero
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Imaginem um tipo que já escreveu malhas para Florence And The Machine ou Chemical Brothers, que aparenta ser fanático por Prince e por Elvis Presley, que toca guitarra como um louco e reuniu uma banda colossal com raízes no new wave nova-iorquino, mas com o coração no soul e no funk. Esse tipo é Devonté Hayes, sob a designação Blood Orange.

Começam com “Heartbreak Hotel”, sim, do Elvis, que é entoado em jeito de abertura a “Chamakay”. E, enquanto somos romanceados por um vibração easy listening, David “DJ” Ginyard está apenas a aquecer as mãos de ouro, para fazer explodir o baixo em “You’re Not Good Enough”.  Depois será o baterista, vamos chamá-lo de músico desconhecido (até descobrirmos o seu nome), a explodir como uma máquina antropomórfica de beat, especialmente a partir de “It Is What It Is” – tremendo pé direito e grande subtileza na fusão dos elementos programados, digitalizações e kit acústico. Na verdade, pareceu estar a dançar atrás do kit, em vez de estar a tocá-lo.

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É encorajador pensar que estes concertos convençam Hynes a focar-se mais em Blood Orange e a decidir gravar com banda. Não que o multi-instrumentista não seja suficientemente capaz de gravar discos. “Coastal Grooves” e “Cupid Deluxe”, são provas mais que suficientes de que o é e, além disso, é também um grande songwriter. Mas a banda recém-reunida – iniciou ensaios uma semana antes do Coachella – aumenta a dinâmica e o balanço dos temas. Permite até que Hynes se mostre, entre dance moves e tapping, com uma Stratocaster, como um excelente guitarrista de funk rock. Sujinho, é certo, mas apaixonante. Pensem no som de Prince no filme “Purple Rain”, mais que na canção em questão.

“Sutphin Boulevard” é um colosso de graves e peso. De peso. O baixo… Mãe do Céu! Übergroove

“Sutphin Boulevard” é um colosso de graves e peso. De peso. O baixo… Mãe do Céu! Übergroove (Experimentem rodar o Youtube do tema e vão colocá-lo em loop)! O final veio depressa, com o hino dance de progressões melódicas estranhas e viciantes (mais funky ainda ao vivo), “Uncle ACE”, e a love hangover song, “Time Will Tell”. Num dos versos, Hynes homenageia o amigo próximo, Adam Bainbridge, com a letra de “House”, dos Kindness. Dois génios de nova geração. Duas cabeças que se colocam na linha da frente para salvar a pop.

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Sexy. Pintas. Kitsch. Supafly. Um concerto que, com sobreposição, nos últimos temas, ao de Queens Of The Stone Age, poucos viram, mas em que todos ficaram agarrados.

Fotos Catarina Torres

SETLIST

  • Heartbreak Hotel
  • Chamakay
  • You’re Not Good Enough
  • Bad Girls
  • It Is What It Is
  • Sutphin Boulevard
  • On The Line
  • Always Let You Down
  • No Right Thing
  • Uncle ACE
  • Time Will Tell