Blossoms, o peso da herança

Blossoms, o peso da herança

2017-07-06, NOS Alive, Passeio Marítimo de Algés
Carlos Garcia
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Os Blossoms chegam da grande Manchester, e isso nota-se em cada detalhe do seu corpo musical.

Há heranças inescapáveis e uma cidade que já pariu tantas grandes bandas pode ter um de dois efeitos na constituição de uma nova banda que saia daquelas paragens: ou sobem na melhor maneira Newtoniana aos ombros de gigantes e constroem um som que parte do grande repertório mancuniano e levanta voos a outras paragens. Ou pelo contrário o peso das influências sente-se demasiado, tornando o som datado logo a priori, aquela sensação de já ter ouvido isto, mas melhor. Os Blossoms estão algures entre estes dois paradigmas. Não são uma revolução no paradigma musical indie e sente-se ainda em demasia a presença de Oasis ou Stone Roses, mas existe aqui um potencial para algo mais. As melodias e os riffs estão lá, assim como o sentido de canção. Por agora fica ainda a sensação de banda à procura de uma identidade própria, procurando sair da sombra demasiado grande dos seus conterrâneos. Músicas como “Deep Grass” provam que existe aqui substância que poderá frutos mais maduros no futuro. Ainda assim a pop orelhuda e as letras nonsense de “Charlemagne” e “At Most a Kiss” não ficariam mal num portfolio de Noel Gallagher.

Fotos: Tomás Lisboa