Bruno de Marte

Bruno de Marte

2018-06-24, Rock In Rio Lisboa, Parque da Bela Vista
Nero
Agência Zero
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Mais de 80 mil pessoas assistiram ao concerto do ano, uma luxuriante fantasia funk, motown, jazz, pop, hip-hop, rock, soul, R&B.

Nota: Bruno Mars não se deixou fotografar pela imprensa.

Foi a 28 de Março de 2017 que a 24K Magic World Tour arrancou na Bélgica. Em Janeiro, a digressão de Bruno Mars, que já havia passado pela Altice Arena, produzida pela Live Nation, relatava mais de 2 milhões de bilhetes vendidos e lucros na ordem dos 200 milhões de dólares. Entretanto, Bruno Mars teve um périplo pela Ásia e Austrália e regressou à Europa, para alguns festivais, entre eles o Rock In Rio Lisboa, faltando contabilizar este último semestre.

Isto para dizer que são coisas, completamente, noutro nível. E num nível de exigência e elite que passa para palco e para a performance de cantor e músicos. O resultado a que mais de 80 mil pessoas assistiram foi uma extraordinária coreografia de luz, música, dança e interacção com o público. Com uma cronometragem surreal e um groove extraordinário. Uma fantasia funk, motown, jazz, pop, hip-hop, rock, soul, R&B. Uma verdadeira “Finesse” ou “24 quilates de magia”, se nos permitem, temas que abriram a setlist.

THE HOOLIGANS

A energia que transbordou de palco durante toda a setlist, o dinamismo de luzes e pirotecnia, e o talento de cada um dos músicos foram alimentados por um som com uma qualidade irrepreensível. É difícil destacar alguém entre a banda, dada a enorme qualidade e coesão entre cada um dos músicos, mas houve um tremendo equilíbrio da secção rítmica, com o Jazz Bass de Jamareo Artis super trancado com as baterias de Eric Hernandez – ainda que o baixista tenha tido espaço de sobra para linhas de baixo sobre o instrumental, quase como um instrumento solo, à Jaco Pastorius. Ficou-nos também bem gravado o solo do saxofonista Dwayne Dugger, antes de “Versace On The Floor”. Os The Hooligans são mesmo uma das melhores bandas na “indústria” actual. Bruno Mars, ao contrário do que sucede com tantos artistas, não destoa desta elite.

MARS

Vocalmente não há nada a apontar, Mars é um tenor com capacidade de três oitavas e possui um toque soul na sua voz, sendo acessível e versátil. Como performer é capaz de evocar Michael Jackson ou James Brown e como guitarrista faz pensar em Prince. Não é tão exuberante tecnicamente como o falecido músico, mas tem técnica quanto baste para não ser ofuscado pela banda, com bastante firmeza e segurança nas notas, como provou no solo de “Calling All My Lovelies”, tocado numa Music Man Albert Lee, personalizado com o acabamento 24K. Já na festiva “Marry You”, cujos arranjos actuais tornam ainda mais efusiva, Mars empunhou uma deslumbrante Fender Stratocaster Sunburst, com os acordes a ressoarem cristalinos e preenchidos.

O QUE É BOM ACABA DEPRESSA

Uma setlist que fez o concerto passar demasiado rápido. Talvez o único momento em que se teve a oportunidade de recuperar o fôlego tenha sido no algo longo solo de piano de John Fossit, a seguir a “When I Was Your Man”. “Locked Out Of Heaven” e “Just The Way You Are”, cantadas a plenos pulmões pela enorme multidão, prenunciaram o final, que veio com o super single de Mark Ronson. «Before we leave lemme tell y’all a lil’ something… Uptown Funk you up, Uptown Funk you up»!

É recorrente dizer-se «este foi o melhor concerto que vi», seja pela intensidade da actuação, pela nossa disponibilidade para essa mesma actuação ou simplesmente porque é aquele concerto que temos mais presente na memória. Com o tempo, vamos deixando de dizer isso sobre os concertos, para não se tornar algo palerma. Bom… está na altura de o tornar a dizer, sobre o concerto de Bruno Mars.

SETLIST

  • Finesse
    24K Magic
    Treasure
    Perm
    Calling All My Lovelies
    Chunky
    That’s What I Like
    Versace on the Floor
    Marry You
    Runaway Baby
    When I Was Your Man
    Locked Out of Heaven
    Just the Way You Are
    Uptown Funk