Bruno Pernadas, Para Gregos e Para Troianos

2015-08-15, Cem Soldos, Tomar
Nero
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Não tão espectacular como Return To Forever. Não tão excêntrico como Zappa. Não tão efusivo como Arcade Fire. O colectivo comandado por Bruno Pernadas foi luxuoso, uma extravagância musical a criar mandalas coloridos por uma enorme fusão de estéticas.

O compositor poderá ser incluído junto a nomes como João Hasselberg ou André Fernandes, como um músico mais apaixonado por música que por si e que, partindo do jazz, foi capaz de desenvolver uma linguagem original (capacidade tão preciosa a meio da super abundância de bandas, projectos, discos, concertos ou festivais) e abrangente, sem exercícios de presunção ou “snobismo” musical. Compassos de absorção directa, leitmotivs de apreensão simples e o fascinante desenvolvimento instrumental, que surge em picos dinâmicos ou crescendos construídos camada a camada, foram presentes que Bruno Pernandas ofereceu a todos os rostos que olhavam o palco Lopes Graça.

A festiva “Première” ou a trip hopesca “How Would I Be”, foram os momentos altos e, até pelo perfil de cada uma delas, ilustram essa ideia de canções capazes de agradar a gregos e a troianos.

O único pecado será uma tendência de repetição rítmica através das estruturas. Intenção ou sortilégio de compor sem baterista? Uma questão para outra altura, para outro disco, afinal os ecos coloridos de “How Can We Be Joyful In A World Full Of Knowledge” invadem-nos de alegre despreocupação musical uma e outra vez, durante aquele que foi um concerto tão divertido para o público como aparentou ser para os músicos.