Máquinas de fumo e amplificadores altos, os canadianos Cancer Bats entram em palco depois da actuação energética dos espanhóis Wilderness, que acompanharam o grupo nesta mini digressão ibérica.
Apesar de uma sala pouco composta, só ficou a perder quem não foi. Para quem não sabe os Cancer Bats são uns verdadeiros animais de palco, e são daquelas bandas que se pode dizer orgulhosamente que ainda são melhores ao vivo do que em disco. O vocalista Liam Cormier e companhia sabem agarrar desde cedo o público pela mão, incentivando a audiência a participar na festa, não que fosse preciso esse incentivo, pois o “caos” já estava instalado. Sempre com uma abordagem cómica, e de bastante agradecimento pela hospitalidade portuguesa (confessaram que aproveitaram o domingo solarengo para fazer um prainha e apanhar umas ondas), o quarteto, apesar de vir apresentar o seu mais recente álbum “ Searching for Zero”, deste ano, desfilou temas de todos os seus trabalhos, incluído a clássica “Pneumonia Hawk”, e as cantadas em plenos pulmões “R.A.T.S” e “Hail Destroyer”.
“Lucifer’s Rocking Chair” foi sem dúvida um dos momentos mais altos da noite, talvez o tema em que a banda mostra de forma mais vincada a sua veia southern rock, garantiu o headbang de toda a plateia, que soube cantar de início ao fim todos as letras das músicas tocadas.
Houve ainda tempo para a homenagem ao saudoso Adam Yauch (MCA), dos Beastie Boys, na sua versão de “Sabotage”. Apesar de já se ter tornado um habitué na setlist dos canadiano, o público entra sempre em loucura com o poderio da malha, e aquelas linhas de baixo vincadas. Sing-along’s por todo o lado foi garantido.
Quatro temas antes do fim, surgiu o primeiro e único problema técnico, o microfone de Liam deixou de funcionar, mas isso não o impediu de comunicar. Microfone desligado, falou com a audiência sem qualquer artefacto, referindo que sinceramente não precisava do dispositivo para continuar a actuação, pois o público sabia de tal maneira as letras que bastava a banda tocar e o público cantar para a festa continuar.
Problema resolvido, a recente “Satellites” ecoou pela sala, tendo o espetáculo, de cerca de 1 hora e 20 minutos, sido fechado com chave de ouro, a devolução total ao público. Toda a banda saltou imediatamente do palco para cumprimentar todos os presentes, enquanto se ouvia o pedido para mais uma tema, ao qual o baixista Jaye Schwazer fez sinal que não podiam mesmo, devido ao horário de funcionamento do espaço.
Feroz, emocionante e implacavelmente pesado, foi um lembrete enfático do que os Cancer Bats realmente são.
Foto: Hell Xis Agency
