Capicua. Sereia. Medusa. Rainha

Capicua. Sereia. Medusa. Rainha

2015-07-10, Passeio Marítimo de Algés
Nero
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No final do segundo dia de NOS Alive, ficámos na dúvida de qual teria sido o melhor concerto da noite e de todo o festival. Capicua ou Róisín Murphy? Uma é Musa, a outra Medusa. Deixamos a decisão para vocês, nós fomos arrebatados por ambas.

A pujança arrasadora com que a produção de Ana Fernandes está a soar ao vivo começa a pedir outros desafios à rapper. No Clubbing seria complicado, mas começa a surgir aquele desejo de ouvir a Capicua a versar sobre uma banda. Nada contra o formato do concerto do NOS Alive, em que a envolvência sonora vinda do palco foi deslumbrante, e muito menos contra a artista, cuja palavra possui uma personalidade e carisma intocáveis, uma capacidade tremenda de transmitir uma aura de autenticidade, sem esforço.

A forma enleante como as estruturas se complexificam progressivamente e como, ainda assim, são tão fáceis de acolher correntes, ritmos, grooves externos, como foi tão poderoso exemplo o dueto com Valete em “Medusa”. Sampling épico, beat a destilar groove, e a agressividade da miúda de Cedofeita e do seu braço direito, Marta Bateira. Damos por nós a dançar mais próximo do headbanging…

A descarga de ira urbana e a fúria erótica, com aquela estranha e enfeitiçante serenidade feminina, redundou num concerto triunfal, com o palco Clubbing a transbordar e a delirar em malhões como “Vayorken” e “Maria Capaz”. Outro dos grandes momentos foi “Barulho”, que Capicua fez evoluir do interlúdio que construiu para o original que fez com D’Alva.

Ao final de uma tragicamente curta hora pensa-se: «Já acabou? Quando há outro concerto de Capicua?»