Chega a vez de Sallim

Chega a vez de Sallim

2016-03-19, Galeria Monumental
Tiago da Bernarda
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A mais recente aposta da Cafetra Records apresentou o seu disco de estreia, “Isula”, no sábado passado, 19 de março, em Lisboa.

Foi em meados de Setembro de 2014 que Éme encheu a sala tigre da Casa Independente, em Lisboa, para apresentar o seu primeiro álbum de estúdio, “Último Siso”. A primeira parte ficou a cargo de uma desconhecida particularmente tímida. De tal forma, que só quando olhei para o cartaz é que percebi que o seu nome de palco era Sallim.

No sábado passado, esse mesmo nome ressurgiu, na Galeria Monumental, encostado ao Jardim Mártires da Pátria, prestes a apresentar o seu disco de estreia, “Isula”. Desta vez, com uma enorme diferença: toda a gente veio para a ver.

Apresentou-se da mesma forma de que há dois anos atrás

Pouco a pouco, o espaço encheu-se. Os familiares sentados à frente, com casacos de lado a guardar lugar. A grande maioria deixou-se de pé, encostada à parede, aguardando a chegada de Sallim.

Apareceu não muito depois da hora prevista, sozinha. Pensar-se-ia que viria acompanhada, dado que “Isula” revela a cantautora com um jeitinho de Yan-Gant Y-Tan, companheiro de label. Algumas teclas, uma esporádica guitarrinha adicional. Mas não. Apresentou-se da mesma forma de que há dois anos atrás, mas com um repertório mais coeso e amadurecido e cheio de reverb.

E o reverb é importante na nova setlist de Sallim.

Pouco depois de terminar o primeiro tema, pede ao técnico de som mais reverb. Logo após o segundo, volta a pedir mais. Não dá como não pensar no sketch do Saturday Night Life com o Christopher Walken, mas em vez de cowbell, vai sempre pedindo mais reverb.

E o reverb é importante na nova setlist de Sallim. É o que dá a leveza às suas palavras e à guitarra que a acompanha e que deixa aquele gosto dream pop português na língua. É também o cimento que homogeneíza os seus versos soltos em canções propícias para cantarolar. E, neste caso, funciona perfeitamente.

“Isula”, que foi tocado na íntegra, incluindo um ou dois temas que ficaram fora do alinhamento original do disco, sem discursos, nem pequenos contextos e foram os temas mais improváveis que puxaram mais pela reacção do público. Como o caso da pequena fábula “Mulher Lebre” (que tinha febre e não sabe de quem apanhou), ou “Uma laranja no bolso” (que caiu no chão do comboio em direcção à pessoa a quem tinha rejeitado um gomo).

Chuvia torrencialmente lá fora mas fazia quentinho lá dentro. Parte devido às pequenas histórias ali contadas que isolavam o contacto com o mundo exterior, parte pelo calor que acumulava na barriga e que perdurou ainda cinco minutos depois de ter acabado.

Foto: Facebook Oficial Cafetra Records