Colado#2: Um Manifesto da Juventude no Musicbox

Colado#2: Um Manifesto da Juventude no Musicbox

2016-04-14, Musicbox, Lisboa
Pedro Miranda
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Para aqueles que costumam circular pelos pequenos espectáculos que a noite lisboeta tem para oferecer, não deverá ser novidade que a cena musical portuguesa abunda em pequenos grandes talentos: o desafio está em encontrá-los em meio a um mar de artistas emergentes.

A Colado, bem ciente disso, fez da intuição sucesso na sua segunda noite de concertos, trazendo ao Musicbox um set que serviu de manifesto à jovem população de artistas que se vai erguendo a custo no panorama nacional.

À margem de formalidades, os Fugly foram o primeiro representante do grupo a tomar o palco, ainda com o salão do Musicbox praticamente vazio. Parecendo pedir mais festa que o slot de abertura da noite poderia proporcionar-lhes, portaram-se como o arquétipo da jovem banda de rock ‘n roll: de guitarras envoltas em distorção suja e secção rítmica sempre trovejante abanavam-se, saltavam e atiravam-se (e ao equipamento) ao chão, não perdendo oportunidade de retirar dos seus instrumentos os mais estridentes resultados. Pouco de realmente diferente se retirava dali, mas para o efeito desejado, e de primeiro EP a caminho, deixaram memorável cartão de visita à plateia, que já se ia compondo à altura de sua saída.

Bastante mais contidos (mas não menos apreciáveis) estiveram os Basset Hounds, grupo que parecia servir-se de todas as influências que tinha à mão. Assentes no legado do rock inglês (os leads de guitarra ensopados em reverb traziam à memória os Smiths, e os momentos de distorção algum Radiohead), não abdicavam, no entanto, dos tradicionais traços do indie moderno, do psicadélico e até de algum post-rock. Poder-se-ia dizer que com tanto ingrediente mal sobraria espaço para originalidade, mas os Basset Hounds compensavam-no com uma atitude confiante, execução cristalina e até algum humor pouco habitual nestas ocasiões. Para além de terem caído nas boas graças do público logo de partida (o guitarrista António Vieira passara o set a distribuir garrafas de água), fizeram da compra do seu recente LP uma realidade muito menos distante.

Por último, e aqueles que de facto fizeram encher o recinto, os Galgo, quarteto-maravilha de Oeiras que tem viajado na onda do hype, não dão sinais de estarem a abrandar. Não trouxeram um espectáculo muito diferente daquele que têm andado a tocar nos últimos tempos, mas melhoram vorazmente a sua execução de cada vez que o fazem, de tal forma que pouco a pouco aproximam-se da perfeição no desbravar das influências que desdobram do seu math psicadélico. Se lhes faltou maturidade em EP5, o novo tema que estrearam aponta para que a conquistem no primeiro disco que estão actualmente a gravar. Até lá, as métricas intrincadas, texturas mirabolantes e um insaciável apreço pela surpresa e pela distinção chegam e sobram para encher-nos os ouvidos.