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Daughter

If You Leave

4AD, 2013-03-18

Hugo Tomé

Das melhores sensações que um disco nos pode proporcionar, é o prazer de o ouvir do princípio ao fim sem, em momento algum, sentirmos vontade de passar à frente, ou na pior das hipóteses, parar. Normalmente, esta sensação de prazer só é alcançada por discos verdadeiramente sentidos, bem feitos, capazes de passar livremente pelos sentidos sem nunca despertarem qualquer tipo de dúvida ou desagrado. “If You Leave” é um desses discos.

Os Daughter abrem portas ao sentimento com uma peça de estreia frágil, sincera, retirada de um puzzle romântico em franca desconstrução. A voz macia, limpa, por vezes, quase como sussurro de Elena Tonra desvenda o enredo envolvido com o tema amor na sua maioria pendente para a queda e destruição. Os arranjos brandos, tímidos, quase como a luz das velas de Igor Haefeli e Remi Aguilella iluminam as páginas de lírica na sua maioria pendente para a complexidade e escuridão. E o traço angelical da música a pairar pura, inocente, quase como ingénua de “If You Leave” desenha o retrato íntimo dos Daughter na sua maioria pendente para a beldade e longevidade.

Das melhores sensações que este disco nos pode proporcionar, é a empatia de um Drama/Romance do princípio ao fim sem, em momento algum, querermos deixar para trás, ou na pior das hipóteses, perder. Normalmente, esta sensação de empatia só é alcançada por histórias verdadeiramente introspectivas, bonitas, capazes de passar livremente pelos sentidos despertando todo o tipo de admiração e agrado. “If You Leave” é uma dessas histórias.