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Deep Purple

Machine Head

Warner Music, 1972-03-25

EM LOOP
  • Highway Star
  • Pictures Of Home
  • Smoke On The Water
  • Lazy
  • Space Truckin’
Nero

“Machine Head” é uma tarefa hercúlea do Mark II [Ritchie Blackmore, Jon Lord, Ian Paice, Ian Gillan e Roger Glover] dos Deep Purple, que procura fazer soar todo o seu virtuosismo e talento contra todas as partidas do destino.

É o álbum no qual a banda se deixou de vez de bizarrias, fosse a busca de canções na pop, das extravagantes colaborações com a London Philharmonic Orchestra ou do experimentalismo de “Fireball”. Assim, tornou-se num dos álbuns mais importantes da história do rock, “Machine Head” é a suma da banda. Perfeito. A explosividade e peso do som tornaram-no num marco a nível estético, estrutural e de produção.

É por esses factores e por este álbum que os Deep Purple passaram a ser colocados, em várias discussões, junto dos Black Sabbath e Led Zeppelin como um dos pilares da Santíssima Trindade originária do hard rock e heavy metal.

Este é o álbum em que Lord (que correu os seus órgãos através de um stack Marshall) e Blackmore melhor se coadunam, em que os píncaros de forma dos dois músicos a nível de execução estavam similarmente no auge em conjunto com a fúria criativa e pertinência melódica. Esse é um factor raro em qualquer banda, em qualquer momento da história da música.

E tudo isto foi conseguido apesar dos contratempos que sucederam no processo de gravação (resumidos em “Smoke on the Water”) planeada para a Suíça, no salão do Casino de Montreaux, nas margens do Lago Lemano, casa há vários anos do Montreaux Jazz Festival. Para isso, a banda alugou um estúdio móvel aos Rolling Stones. Acontece que no último concerto da sala antes do encerramento de temporada, durante a actuação de Frank Zappa, um indivíduo decidiu acender um artifício pirotécnico e daí deflagrou um incêndio que arrasou o espaço. «Some stupid with a flare gun».

Improvisadamente, foi alugado o Grand Hotel, com o estúdio montado no hall de entrada e as captações feitas num dos principais corredores de acesso ao mesmo. Devido à distância entre os músicos e a carrinha que continha o equipamento de régie, aqueles optaram por gravar exaustivamente cada tema, até estarem plenamente satisfeitos com a performance. Dessa forma, todo o álbum é percorrido por um sentido ao vivo e de jam session vibrante.

Curiosamente, e apesar de “Machine Head” ser um sucesso de vendas, o disco de maior fama desta altura é o “Made in Japan”. Não há quem não tenha esse álbum ao vivo, no entanto fariam bem em ter na vossa colecção (se esse não é o caso) esta obra-prima do hard rock que pode ser colocada ao lado de colossos como “Master of Reality” ou “Led Zeppelin II”.