Ed Sheeran Conquista Estádio da Luz

Ed Sheeran Conquista Estádio da Luz

2019-06-02, Estádio da Luz
António Maurício
Inês Barrau
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Em formato “One-Man Show”, Ed Sheeran, o rapaz inglês encheu as expectativas de um estádio inteiro com pop acústica, melódica e dançante.

Os concertos em estádio já foram mais recorrentes em Portugal, mas este ano parecem estar a fazer um retorno à forma. Assistimos aos Metallica no Estádio do Restelo em Maio, o festival VOA acontece também no Restelo em Julho e Ed Sheeran encheu practicamente dois Estádios da Luz no primeiro fim de semana de Junho. No nosso camarote, as conversas relembravam a presença de Michael Jackson no Estádio de Alvalade em 1992 ou os Police no Estádio Nacional em 2007. Nós ainda nos lembramos do recordista de público, a data dupla dos Pink Floyd também em Alvalade, em 1994.

Os concertos em estádio criam um ambiente muito mais épico, não só pela arquitectura, a acústica e o espaço em si, que oferecem uma enorme visão panorâmica, mas também pela excelente percepção da multidão. Ou seja, foi fácil perceber que o estádio estava à pinha e entusiasmado.

Ed Sheeran foi altamente preciso – começou a subir ao palco às 20:59 e deu o primeiro toque às 21:00 em ponto, partilhando a nostálgica “Castle on The Hill” com um público verdadeiramente fanático. O artista britânico apresenta-se sozinho em palco, unicamente auxiliado pelas suas guitarras e loop station (chama-se Chewie, conhece aqui) que utiliza para construir os instrumentais ao vivo.

O concerto é totalmente focado na base do género pop, uma voz bem afinada, com um tom naturalmente airoso, e melodias que se colam na nossa mente. A sua especialidade e destreza destacam-se nas baladas românticas, como a “The A Team”, que mereceu luzes do público sem requisição, e nas faixas ligeiras para bater o pé, como “Don’t”.

A interacção interpessoal não ficou em falta. Sheeran conversava com o público antes de (praticamente) todas as músicas – contava histórias, falava sobre as suas passagens por Portugal, tipo de público – mas melhor que isso, conseguia incluir os fãs nas músicas. Fazia “pausas” especiais a meio da música, para que o público pudesse bater palmas e acompanhar o ritmo, ou alongava o refrão para que todos pudessem cantar, sendo que esta última técnica tem um maior impacto emocional e foi surpreendentemente bem executada na novíssima “I Don’t Care”.

“The A Team”, “Bloodstream” e “Tenerife Sea” foram os momentos que mais fizeram levantar as bancadas do Estádio da Luz

Por outro lado, os efeitos visuais que se apresentavam nos ecrãs gigantes não estavam a acompanhar a qualidade da performance. Para um artista mundial deste calibre, seria de esperar um design e qualidade de animação superior. Toavia, os efeitos ou eram utilizados em demasia, resultando em vídeo ao vivo com cores intensamente saturadas, ou pareciam amadores, com formas básicas e desinteressantes.

Em “Bloodstream”, provou o seu status de estrela de estádio. A performance vocal é desafiante, porque varia frequentemente ao longo dos cinco minutos e a guitarra vai crescendo em termos de intensidade. Mistura o trabalho pop vocal com uma intensidade mais virada para o rock e uma progressão não tão comum para o artista. Além disso, ganhou grandiosidade ao vivo, revelando-se muito mais cheia e volumosa.

“Tenerife Sea”, editada em 2014, foi a melhor balada da noite e deixou reminiscências de Bon Iver, com os efeitos harmonizados de voz no final, inéditos ao vivo porque não estão presentes na versão de álbum. A popularíssima “Thinking Out Loud” também merecia presença e colocou uma guitarra eléctrica nas mãos do britânico.

Antes do encore, a rítmica e festiva “Sing”, que mistura com destreza pop e r&b, alongou-se e obrigou Sheeran a projectar os melhores falsetes da noite.

A presença em estádio foi justificada? Sucesso atrás de sucesso executado sem falhas evidentes e fãs que nunca apresentaram aborrecimento ou cansaço durante quase duas horas de concerto- «Por mim, ficava ali a noite toda…» – dizia uma fã no final do concerto. Foi justificada, sim senhor.

SETLIST

  • Castle on the Hill
    Eraser
    The A Team
    Don’t / New Man
    Dive
    Bloodstream
    I Don’t Care
    Tenerife Sea
    All of the Stars / Hearts Don’t Break Around Here / Kiss Me / Give Me Love
    Galway Girl
    Poor Wayfaring Stranger / I See Fire
    Thinking Out Loud
    Photograph
    Perfect
    Nancy Mulligan
    Sing
  • Shape Of You
    You Need Me, I Don’t Need You