Eddie Vedder e Portugal, Felizes Para Sempre?

Eddie Vedder e Portugal, Felizes Para Sempre?

2019-06-20, Altice Arena
António Maurício
Thiago Batista
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O californiano ofereceu um concerto sentimental e nostálgico, numa noite intimista dentro da Altice Arena, onde as notas vocais cintilaram à volta de alinhamento vigorosamente alimentado pelo catálogo dos Pearl Jam.

Será possível explicar o fenómeno Eddie Veder em Portugal? Este rapaz de ’54 possui o dom de aglomerar facilmente enormes multidões em Portugal (o concerto esgotou no primeiro dia de vendas), apesar de marcar o ponto regularmente no território. Esta presença na Altice Arena, Lisboa, foi a sua 11º actuação em Portugal e o publico continua a recebê-lo de braços abertos, como se fosse a primeira vez.

Em concertos anteriores desta digressão europeia, as noites eram maioritariamente compostas por covers de outros músicos, como Pink Floyd, Bob Dylan, The Beatles ou até Nick Cave, mas os portugueses receberam um alinhamento especial, carregado de Pearl Jam, que ecoou a longa história do músico com o país.

MACRO-INTIMISMO

Em termos instrumentais, Eddie usou e abusou da guitarra acústica (Gibson J-200 Pete Townshend Signature), o utensílio ideal para puxar pelos sentimentos e memórias nostálgicas. A Altice Arena é uma sala enorme (capacita a presença de 20000 espectadores), mas o ambiente produzido foi o contrário de amplo, revelou-se apertado e caloroso, como se estivéssemos todos perto de amigos de longa data, à volta de uma fogueira.

Esta intimidade foi perfeitamente complementada pelo esquema de iluminação – foram só montadas seis luzes por cima do palco, que funcionavam com baixa luminosidade – mas, mais importante que qualquer detalhe técnico, a grande empatia com o público. Entres conversas, forneceu elogios ao nosso país, distribuiu copos de vinhos pela plateia, comentou cartazes e cantou “os parabéns” depois de oferecer a sua harmónica a uma aniversariante!

RED LIMO

Tocou grande parte do concerto a solo, iniciando-se oficialmente com “Far Behind”, depois de um introdução unicamente instrumental de “Alive” pelo quarteto de cordas Red Limo String Quartet. O conjunto de dois violinos, uma viola e um violoncelo, providenciou um ambiente cinematográfico em várias faixas, apresentando novos arranjos em “Just Breathe”, “Sattelite” ou “Better Man”, criando assim variedade necessária para um concerto com mais de duas horas. Também Glen Hansard, músico encarregue pela primeira parte do concerto, subiu a palco e forneceu uma guitarra adicional em “Black”, “Smile” ou “Society”. Estas variações entre individualismo e colaboração foram bem integradas por dois motivos: apresentam novas versões de músicas bem-conhecidas pelo público presente e evitam a possível monotonia de uma performance completada por uma só guitarra.

CROONER

A voz de Eddie Vedder é o seu trunfo – mestre em projecção, controlo e afinação. A sua cabeça movimenta-se frequentemente para fugir ou apanhar o microfone, controlando a propagação que atinge o micro. Mas colocando técnicas profissionais de lado, a voz do vocalista dos Pearl Jam foi abençoada à nascença, porque o seu tom natural de voz carrega uma intensidade profunda que evidencia momentos sentimentais ou solenes. Por outro lado, o público também puxou pelas cordas vocais. Não conseguimos decidir se o maior coro colectivo aconteceu em “Better Man” ou “Imagine” (de John Lenon), mas o nível de volume ouvia-se, com certeza, no Vasco da Gama.

Em “Parting Ways” e “Lukin”, a contribuição da guitarra eléctrica e do pedal de bombo puxou as raízes grunge, mas a noite fazia-se calma, Portugal já tinha recebido várias doses dessa energia no passado (voltando ao início do texto, já lá vão 11 concertos!, o mais recente ainda no ano passado no NOS Alive), e a intimidade criada certamente atingiu todas as expectativas dos fãs.

Mantendo a tradição viva, a cover de ” Rockin’ in the Free World” de Neil Young protagonizou o final do concerto em ambiente de festa, fechando mais um capítulo de Eddie Vedder em Portugal. Será o último? Pouco provável.

SETLIST

  • Alive (Pearl Jam) (somente quarteto de cordas)
    Far Behind
    Just Breathe (Pearl Jam) (com Red Limo String Quartet)
    Elderly Woman Behind the Counter in a Small Town (Pearl Jam)
    I Am Mine (Pearl Jam)
    Immortality (Pearl Jam)
    Trouble (Cat Stevens)
    Portugal (Pearl Jam)
    Driftin’ (Pearl Jam)
    I’m Open (Pearl Jam)
    Off He Goes (Pearl Jam)
    Satellite (com Red Limo String Quartet)
    Long Nights (com Glen Hansard e Red Limo String Quartet)
    Black (Pearl Jam) (com Glen Hansard e Red Limo String Quartet)
    Parting Ways (Pearl Jam)
    Better Man (Pearl Jam) (com Red Limo String Quartet)
    Lukin (Pearl Jam)
    Porch(Pearl Jam)
  • Jeremy (Pearl Jam) (somente quarteto de cordas)
    I’m So Tired (Fugazi)
    Imagine (John Lennon)
    Song of Good Hope (Glen Hansard) (com Glen Hansard e Red Limo String Quartet)
    Smile (Pearl Jam) (com Glen Hansard e Red Limo String Quartet)
    Society (Jerry Hannan) (com Glen Hansard e Red Limo String Quartet)
    Hard Sun (Indio) (com Glen Hansard e Red Limo String Quartet)
  • Indifference (Pearl Jam) (Excerto)
    Rockin’ in the Free World (Neil Young) (com Glen Hansard e Red Limo String Quartet)