Entombed AD, For Those About To Rot

Entombed AD, For Those About To Rot

2019-11-08, RCA Club
Nero
Inês Barrau
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  • 10

Liderados pelo tremendo carisma boémio de LG Petrov, os Entombed AD promoveram a sova tradicional daquele som carregado de crossovers entre death metal, um rock muito podre e uma atitude muito punk.

Desde já, devemos ser gratos ao espírito indómito de LG Petrov. A sua postura incansável e o seu carisma contangiante alastraram pelo RCA, desde as primeiras notas dos Baest [abrir a foto-reportagem], banda que segue as veredas abertas pelos próprios Entombed nos anos 90, “poluindo” a prestação dos Aborted [abrir a foto-reportagem] com um groove mais rocker (o que foi uma interessante surpresa) e assim redimensionando aquele compósito de blast beats e breakdowns, e pomoveram um tremendo ambiente entre todos os que esgotaram a sala lisboeta. E, depois, porque é graças a LG que podemos ver e ouvir ciclicamente o inigualável death ‘n’ roll dos suecos.

Tem sido, mais ou menos, de dois em dois anos que o extraordinário catálogo discográfico dos Entombed passa no nosso país. Um autêntico privilégio, afinal ir a um concerto de Entombed ou Entombed AD é ir com a certeza de uma série de premissas: que pouco importa toda a confusão legal na cisão da banda e no nascimento da versão “AD”, até para os seus protagonistas que pouco rodam ao vivo os novos trabalhos, favorecendo a carrada de clássicos que os suecos criaram durante a sua carreira; que a cada visita ao nosso país reafirmam porque são um dos colossos do death metal europeu e também uma das bandas mais criativas do género, com um som carregado de crossovers entre um rock muito podre e uma atitude muito punk, um cruzamento de Obituary com Roky Erickson e Mötorhead, por exemplo.

Enfim, dê por onde der, não há como um fã de sonoridades pesadas de guitarra se cansar do icónico som de um Boss “Heavy Metal” HM-2 a sair através de um Marshall e malhões como “Stranger Aeons”, “Chaos Breed”, “Revel In Flesh”, “Wolverine Blues” ou “Left Hand Path” poderiam ser tocadas por novatos, num ensaio de garagem, e continuar a soar como monólitos de groove e decadência.

Fosse nos novos temas ou nos clássicos, Nico Elgstrand e o brasileiro Guilherme Miranda estiveram “intratáveis” na brutalidade das guitarras. De cada vez que por cá os vemos, soam mais entrosados, com mais pocket nos temas e mais soltos nos solos de guitarra.

Os AD vão fazendo o seu caminho e este percuro tem sido ascensional. O mais recente álbum faz prova disso, tal como a sequência brutal promovida por “Second To None” (terá segundas intenções, o título?), “Through The Eyes Of The Gods” e a divertida “Bourbon Nightmare”, após a icónica “Chaos Breed”, canção desse monumento de death metal que é o álbum “Clandestine”. Ainda em louvor da nova vida da banda, antes desse momento, “Bowels Of The Earth” e “Torment Remains”, ambos malhões do mais recente álbum, precisamente intitulado “Bowels Of The Earth”, poderiam figurar em qualquer dos melhores discos. Digamos, em qualquer um do período entre “Left Hand Path” e “DCLXVI: To Ride Shoot Straight and Speak the Truth”.

Todavia, a partir daqui só houve espaço para os mega clássicos. A parte final do concerto arrancou com “Stranger Aeons” e foram sendo disparados bombas de groove, que mantiveram a frente de palco infernalmente agitada. Afinal, como já por aqui escrevemos anteriormente, uber malhões como “Wolverine Blues”, “Left Hand Path” ou “Serpent Speech” podiam ser tocados pelo Papa Francisco que soariam com o seu poder e decadência intactos.

SETLIST

  • Elimination
    Fit for a King
    I For an Eye
    Bowels of Earth
    Torment Remains
    Chaos Breed
    Second to None
    Through the Eyes of the Gods
    Bourbon Nightmare
    Stranger Aeons
    Revel in Flesh
    Wolverine Blues
    Left Hand Path
    Serpent Speech
    Supposed to Rot