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Faith No More

Sol Invictus

Ipecac, 2015-05-19

EM LOOP
  • Superhero
  • Separation Anxiety
  • Rise Of The Fall
  • Black Friday
Nero

“Sol Invictus” é um álbum canónico de Faith No More. Carregado com aqueles emocionantes ganchos melódicos e a propulsiva secção rítmica da banda.

Diz-se que a vida, que são dois dias, passa a correr e “Sol Invictus” parece provar isso mesmo. Entre “Album Of The Year” e o novo disco existe um intervalo de quase 20 anos, mas a sensação é que não foi mais que dois dias o espaço entre os álbuns, tal a continuidade entre ambos e o sentido omnipresente de que os Faith No More não procuraram fazer um disco tipo “o som que faríamos actualmente”, mas partir de onde haviam parado e até recuar.

Mais, este álbum chega mesmo a saltar por cima de “King For A Day…”, indo até às atmosferas de “Angel Dust”. Talvez por isso as sintetizações e pianos de Roddy Bottum estejam tão presentes nas canções e tão destacadas na produção do próprio baixista da banda, Billy Gould (Matt Wallace tornou a trabalhar com a banda, mas apenas na mistura).

Num sentido estritamente melódico é também um álbum que parece saído dos despojos de “Small Victory”. A banda saberia que as expectativas seriam enormes e conseguiu criar um álbum “imediatista”, mas capaz de crescer a cada escuta, fazendo emergir subtilmente aquele seu lado mais excêntrico.

Será obrigatório analisar Mike Patton, afinal terá sido a relutância do frontman a razão para uma ausência tão alargada de novos discos. Agora que o fez, também é certo que não transparece qualquer ideia de frete, antes de enorme compromisso. O registo de Mike Patton não desilude (como poderia?), mas não está pejado de tiques de exotismo, de excessos. A verdade é que está bastante sóbrio, a liderar a banda num exercício introspectivo sobre si própria.

Aliás, a mais-valia deste álbum é a coesão da banda enquanto colectivo e o anulamento de individualidades.

Por isso, o melhor que pode ser dito de “Sol Invictus” é que, mais que um regresso, é o melhor trabalho da banda desde o referido “Angel Dust”. Dir-se-ia mesmo que, capaz a todos os níveis, com as poderosas vozes de Paton, a propulsiva secção rítmica clássica e os ganchos melódicos fortes, este é o álbum de definitiva emancipação da banda em relação a Jim Martin. Triunfal, “Sol Invictus” é um álbum canónico que, mais que surpreender, conseguiu redescobrir a essência da banda.