Graveyard, blue-eyed soul

Graveyard, blue-eyed soul

2014-09-12, Reverence, Valada
Nero
Miguel Mestre
9
  • 9
  • 10
  • 8
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Liderados por um vocalista fabuloso, os Graveyard terão dado o concerto mais easy-listening de todo o festival.

Se uma banda abre um concerto com um tema chamado “Blues Soul” e outro chamado “Hisingen Blues”. É difícil não perceber os intentos e não identificar o mood do concerto desde o seu início. Mais que com o balanço do seu retro rock, os Graveyard apresentaram-se em Valada numa toada melancólica.

A actuação tranquila da banda, músicos capazes de trabalhar numa dinâmica quase indolente, foi principalmente “electrificada” pela tremenda voz de Joakim Nilsson. É certo que há uma grande escola “roqueira” na Suécia, bastaria pensar em The Hellacopters, mas Nilsson leva isso mais longe e, por estes dias, soa como um descendente directo de Steve Winwood, daquelaextraordinária voz tenor de blue-eyed soul.

Nilsson faz flutuar a guitarra rítmica de acordo com o seu mood e as suas intensidade de interpretação lírica

Percebe-se o que Axel Sjöberg queria dizer com o facto de não se adaptar a um metrónomo. Nilsson faz flutuar a guitarra rítmica de acordo com o seu mood e as suas intensidade de interpretação lírica e as linhas melódicas simples de Jonatan Larocca-Ramm, não forçam qualquer imposição, circulam em redor desse elemento central. Daí não restar muito a Axel Sjöberg, senão procurar apontamentos de preenchimento, isto nos momentos mais calmos, naturalmente. Porque quando o rock blues dá lugar ao hard rock, os Graveyard são também uma das grandes forças do classicismo actual do género.

Também por essa noção, aumentada a ouvir malhões como “Goliath”, fica um certo lamento por um concerto demasiado baladeiro, embora essa seja, claro, uma questão de gosto.

SETLIST

  • Blue Soul
    Hisingen Blues
    Buying Truth
    Seven Seven
    Slow Motion Countdown
    As the Years Pass by, the Hours Bend
    Ain’t Fit to Live Here
    Uncomfortably Numb
    Goliath
    The Siren
    Evil Ways