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Guadalupe Plata

Guadalupe Plata

Popstock, 2013-01-10

Hugo Tomé

Não fosse a música uma linguagem universal, uma das principais formas de união entre povos e culturas, e os Guadalupe Plata pura e simplesmente não existiam. Ou melhor, até poderiam existir, mas não era a mesma coisa.

Para quem ainda não sabe, os Guadalupe Plata são três rapazes vindos da Andaluzia (aqui mesmo ao lado), e fazem blues (que veio lá do outro lado). Não é garantido que também tenham feito algum pacto com o Diabo, muito menos que nas extensas planícies da Andaluzia também existam as crossroads. Confirma-se apenas a parte do blues mencionada anteriormente, e como disse o “outro” ainda há bem pouco tempo, sujinho, sujinho, sujinho. Portanto, é assegurado que neste disco se ouve qualquer coisa que vai da imagem de Robert Johnson de guitarra “in the box” no meio da encruzilhada (“Lamentos”), a Muddy Waters na primeira vez que ligou as cordas à electricidade numa rua de Chicago (“Demasiado”), e Junior Kimbrough a debitar ritmo em modo repetição (“Esclavo”), da mesma maneira que debitou influência no princípio de vida dos Black Keys. E como se por si, só isto já não fosse mais que suficiente. Nas condições particulares deste disco ainda se cobrem as alíneas auditivas de Pedro Rios a cantar que nem um mexicano “emblusado” em tequila, num bar onde Robert Rodriguez poderá gravar o próximo tiroteio que só Banderas sobrevive, mais, a forte possibilidade de Tarantino encontrar aqui a banda sonora de outras tantas matanças, extravagâncias e coisas que tais.

Conclusão. Da terra dos “nuestros hermanos” já todos nós alguma vez ouvimos o célebre ditado popular, prescrevo. Porém, como qualquer velha máxima, toda a regra tem a sua excepção, e da Andaluzia lá nos chegam notícias de bons ventos e bons casamentos. Ou melhor, da Andaluzia chega-nos blues, chegam-nos os Guadalupe Plata.