High On Fire, hostias!

High On Fire, hostias!

2014-07-31, Viveiro, Galiza
Nero
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Hostias, dizem os castelhanos. “Hostias” é o corpo do Senhor, o alimento transubstanciado. Quer dizer que é algo para reverência ou, simplesmente, surpreendente e bom para caracinhas. High On Fire foi bom para caracinhas.

O fogo de groove da banda incendiou o Ritual Stage desde os primeiros acordes de “Fury Whip”. Ritual Stage, Shrine, Altar… Curioso como um certo tipo de sonoridades é remetido para palcos com este tipo de nomenclatura. Faz sentido, por Cristo, Matt Pike é um dos tipos que escreveu o “Dopesmoker”. Reverencie-se o tipo! “Hostias”!

Entre a sua parede de amplificação, cujo volume roça a insanidade, a voz de Matt Pike surgiu algo baixa. A agressividade que é patenteada no som dos High On Fire transborda ritmicamente e invade os próprios solos de guitarra de Pike, que soam sempre como mega sujos, mas aqui surgiram certinhos, coesos – noutros altares (leia-se Roadburn) já se viu Pike completamente perdido na história do shred. “Fertile Green” sucede ao tema de abertura e impõe uma cadência impressionante de dinâmica ao concerto. Até ao final somos expostos a demência, alucinações, psicadelismo… “Hostias”, o palco nem background tem, todas estas impressões são auditivas, devaneios.  Nem de propósito surge “Madness Of The Architect”, que trará o ambiente sonoro a que mais rapidamente se associa o frontman da banda.

Matt Pike é um dos tipos que escreveu o “Dopesmoker”. Reverencie-se o tipo! “Hostias”!

A fúria do guitarrista é acolhida pelo trabalho de Jeff Matz e, principalmente, de Des Kensel – hostias, ficamos a pensar se estamos diante de um humano ou da divindade bruta ficcional criada por Robert E. Howard, Crom! Se começaram com o recinto algo despido à sua frente, quando terminaram, fosse pelo tronco nu à pintas prepotente de Pike, pela sua imponente pança de cerveja ou, “simplesmente”, pela autêntica cacetada que foi o concerto, pedia-se que ficassem. Tudo o que é bom acaba depressa, afinal “hostias” também serve para expressar desagrado…

Para terminar, ouvir um concerto em que nenhum auto-proclamado profeta e campeão da paz nos enche a cara com discursinhos sobre o conflito na Palestina, mesmo quando um dos temas tem um título tão convidativo como “Rumors Of War”, é um alívio, “hostias”!

SETLIST

  • Fury Whip
    Fertile Green
    Madness of an Architect
    Serums of Liao
    Devilution
    Baghdad
    Rumors of War
    Fireface
    Snakes for the Divine