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Hills Have Eyes

Strangers

Hills Have Eyes

Ines barrau

Os setubalenses Hills Have Eyes, ao lado dos seus amigos More Than A Thousand, são uma das grandes apostas da cena underground em Portugal. Depois de em 2010 terem lançado o magnífico e aclamado “Black Book”, o quinteto editou agora o seu segundo álbum de estúdio intitulado de “Strangers”.

O registo começa uma introdução bastante cuidada e meticulosamente pensada, fazendo adivinhar o que vem a seguir, ao longo 34 minutos de pura agressividade e melodia. “Hold Your Breath”, a primeira faixa do disco, aparece logo como uma chapada directa de luva branca, balança entre riffs cativantes e a melodia incorporada tanto na voz limpa como mas parte mais gritadas. Aliás, ao ouvir-se este tema é possível aperceber-se logo a evolução de Fábio (vocalista) nos seus dotes vocais. Apresentando uma voz mais controlada sobretudo nas partes não gritadas.

Com a evolução do disco a energia das músicas nunca baixa, “Pinpoint” e “The Broken” são prova disso mesmo, cheias de garra e avizinhando a primeira supresa aos fãs da banda, que é nada mais nada menos que a participação de Scott Kennedy, dos escoasses Bleed From Whitin, na malha “Thank You For The Inspiration”. “Strangers” – que é o primeiro tema extraído como single – consegue resumir bem todo o trabalho do disco, uniforme, com riffs cativantes e com grandes momentos vocais. Quem já teve oportunidade de ouvir este tema ao vivo sabe bem que o mesmo tornou-se como que um hino para as performances da banda.

A segunda supresa chega-nos em “Anyway, It´s Gone”, que conta com colaboração de Vasco Ramos dos More Than a Thousand, na minha opinião é a música que vinca mais pela diferença, no bom sentido, pois a voz de Vasco encaixa na perfeição, contribuindo com uma sacudidela versátil na composição. “Here´s To You” e “This Is A War” continuam na linhagem pesada inicial, que insistem em ficar na cabeça a cantarolar por bastante tempo e comprovando o porquê dos os Hills Have Eyes serem uma das melhores bandas no actual panorama musical português nestes domínios do crust. A remeter para o final “Dead End” deixa aquele gostinho na boca (neste caso nos ouvidos) por mais.

“Strangers” é sem dúvida um disco a ouvir e a comprar em 2012.