Quantcast
Jucifer, Destruidores

Jucifer, Destruidores

2016-04-23, RCA Club, Lisboa
Nero
7
  • 9
  • 8
  • 4

O crescimento de Wells Valley e Redemptus e a exuberância dos Jucifer.

Esperava-se uma reduzida presença de público no RCA, com muitos adeptos de sonoridades mais extremas reunidos em Barroselas, para o SWR, mas algo estranho se passa em Lisboa quando, num Sábado, não se reúnem mais de 50 pessoas para ver um concerto destes.

Como tantas vezes sucede, os Jucifer fizeram implodir as estruturas musicais que registam ordenadamente em álbum para criar um simbionte sonoro mais violento no concerto. A noite no RCA mostrou Gazelle Amber com o rig mais compacto que lhe vimos no nosso país e com a sua expressividade mais focada numa estética punk extrema. Nada disto significou qualquer compromisso no peso demolidor da banda, afinal esse sentimento advém, principalmente, de Edgar Livengood.

O baterista foi tão exuberante dinamicamente como arrasador a bater no kit. Capaz de, sobre o rude som de guitarra da parceira, construir um ritual em crescendo de intensidade, projectando a parede de watts na direcção que bem lhe entendesse. A elevação do músico na configuração do palco permitiu observar com minúcia a sua técnica – para lá do showmanship com gere as suas “mnemónicas” gestuais (girando as baquetas para compassar os seus temos de batida, por exemplo), o seu grip altera-se significativamente nas marcações de ride, afrouxando a força da mão, e torna-se mesmo tradicional em situações de acréscimo entre tarola e timbalão, como se, apenas com uma mão, estivesse a fazer um tipo de micro blast beat.

Antes da demonstração de poder dos Jucifer, Redemptus e Wells Valley regressaram a uma sala onde a Arte Sonora viu cada uma das bandas pela primeira vez. Vale a pena afirmar um efeito que não sucede tantas vezes como seria de prever, o quanto as bandas cresceram em concerto no espaço de um ano.

Os Wells Valley estarão inclusive a reajustar-se esteticamente – com mais engenho nas transições entre as secções das canções, recorrendo menos a bordões suspensos e mais a progressões melódicas. Dessa forma a banda soa menos gojiresca e mais death metal, sem descaracterizar o seu balanço. Tocaram mesmo para caracinhas!

Os Redemptus, neste período de tempo, despiram-se de alguns excessos cénicos para se concentrar na sua parede de som. Com o vocalista mais agressivo na sua interpretação e mais à vontade com o baixo, a banda soou mais coesa e, como consequênciam, as malhas estão mais soltas. E se os Redemptus têm malhas…