Katy Perry, O Prestígio

Katy Perry, O Prestígio

2018-06-30, Rock In Rio Lisboa, Parque da Bela Vista
Nero
Inês Barrau
9
  • 10
  • 8
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  • 10

A digressão Witness: The Tour é uma luxuriante fantasia pop, com potência visual e musical estonteantes.

É-nos dito no maravilhoso filme de Christopher Nolan que «um grande truque de magia consiste em três partes. A primeira parte chama-se “A Promessa”. O mágico mostra algo ordinário: um baralho de cartas, um pássaro ou uma pessoa. Ele mostra este objecto. Talvez te peça para inspeccioná-lo e verificar se é mesmo real, inalterado, normal. Mas, claro… Provavelmente, não é. A segunda parte chama-se “Reviravolta”. O mágico pega em algo ordinário e faz algo extraordinário. Agora estás a procurar o segredo… Mas não o irás encontrar, porque não estás a olhar atentamente. Lá no fundo, não queres descobrir. Queres ser iludido. Mas ainda não se aplaude. Porque fazer algo desaparecer não basta, é preciso trazê-lo de volta. É por isso que todos os grandes truques de magia possuem um terceiro acto, a parte mais difícil, a que chamamos “O Prestígio”».

Katy Perry encerrou a leg europeia da digressão Witness: The Tour no Rock In Rio Lisboa com um espectáculo mágico, carregado extravagância visual e poder sonoro ensurdecedor. Começou pela promessa e deu-nos a reviravolta. Afinal, há 10 anos atrás era apenas uma miúda normal, cujo primeiro trabalho até fora um insucesso comercial, que através da transmutação musical se tornou uma das mulheres mais valiosas na indústria musical.

Um percurso exposto nos três primeiros actos do concerto, onde a potência visual e musical do espectáculo foram estonteantes (mesmo que “Chained To The Rythm” tenha sido afectado por problemas com o microfone da diva pop). Katy Perry acabaria por desaparecer após “Bon Appétit”, um dos temas com mais espalhafato de produção. No acto mais introspectivo, com baladas mornas, parecia mesmo que estávamos a ver outro concerto completamente distinto. Até ressurgir, no “Prestígio”, com “Roar” e para o final com “Pendulum” e “Firework”. Sim, a este nível a música é feeling e fireworks também.

Katy mostrou-se acessível, comunicando largamente com o público que promoveu a segunda maior enchente na Bela Vista, depois de Bruno Mars. Divertida e provocante, o seu carisma compensou uma prestação vocal muito defensiva, apoiando-se bastante nos coros e na própria mistura sonora, com a voz algo baixa, comparativamente aos restantes elementos.

A sua banda talvez tenha sido ofuscada com o excesso de programação e sintetização. Contudo, seria impossível que um prodígio da bateria como Tony Royster Jr. não se destacasse. Aos 14 anos de idade Tony já brilhava ao lado de vultos como Dennis Chambers, já tocou com Jay Z, por exemplo, e neste concerto revelou-se como um monstro técnico e um versátil baterista moderno, com um kit híbrido e disparando a maioria dos samples e elementos percussivos digitais, dotado de um tremendo controlo. Afinal, uma batida errada e não seriam disparados pequenos elementos rítmicos, mas enormes sons de grooves electrónicos.

Foi um concerto dentro de um concerto.

SETLIST

  • Witness
    Roulette
    Dark Horse
    Chained to the Rhythm
    Act My Age
    Teenage Dream
    Hot N Cold
    Last Friday Night (T.G.I.F.)
    California Gurls
    I Kissed A Girl
    Déjà Vu
    E.T.
    Bon Appétit
    Wide Awake
    Into Me You See
    Power
    Part of Me
    Swish Swish
    Roar
    Pendulum
    Firework