O mega groove de Kendrick Lamar

O mega groove de Kendrick Lamar

2014-06-05, Parque da Cidade, Porto. Primavera Sound
Nero
8
  • 9
  • 7
  • 8
  • 10

Sujo, pesadão e demolidor. Kendrick Lamar deu um concertão na primeira noite do Primavera Sound.

O ano passado justificou-se a ausência dos Wu Tang Clan no cartaz do Porto, depois de terem estado em Barcelona, com o facto do género musical não ter público e dos custos em trazê-los. Diz-se isso, pelo menos. O tremendo concerto dado pelo rapper californiano, no primeiro dia de Primavera, tratou-se de desmentir a primeira ideia. O público esteve rendido à grande prestação dos músicos em palco do início ao final, a roçar o apoteótico.

Para além da empatia provocada por Lamar e pelo flow descontraído com que conseguiu pautar a sua prestação, há que destacar um dos seus músicos – JJ Smith, o baixista. Com duas stacks monstruosas [cabeças Gallien-Krueger e colunas Hartke]. A fusão do som de amps com a saída de DI, para acompanhar os beats mais electrónicos… Mãe do Céu! Que som. Espesso e pesadão. Bem ladeado por um guitarrista com half stacks de Rectifiers. Há bandas de metal que soariam como os Coldplay ao lado daquele backline.

Se pensarem num malhão como “Compton” e imaginarem como pode soar com um bandão por trás, estarão muito próximos de, se não estiveram no concerto, poder imaginá-lo com precisão.

Fica aberta a questão que é passível de incomodar puristas: uma banda em palco ou o rapper e uma beatbox? A verdade é que a dimensão que os temas ganham ao vivo, seja qual for a preferência, é algo difícil de negar. Tal como a própria interacção que a não programação permite com o público. Temas como “Poetic Justice” ou “Bitch, Don’t Kill My Vibe” tornam-se muito mais que o som algo plástico que ostentam no recente álbum “Good Kid, M.A.A.D City”. Se pensarem num malhão como “Compton” e imaginarem como pode soar com um bandão por trás, estarão muito próximos de, se não estiveram no concerto, poder imaginá-lo com precisão.

Foto: Nos Primavera Sound | Hugo Lima