Kowloon Walled City, Art Greco

Kowloon Walled City, Art Greco

2016-08-20, Hard Club, Porto
Nero
9
  • 10
  • 8
  • 7
  • 10

A subtileza dinâmica da banda e o som envolvente de uma guitarra infame, num dos melhores concertos do Amplifest 2016.

Chegaram pela primeira vez à Europa e, consequentemente, ao Amplifest como uma bomba relógio. Naturalmente, a maturação sonora em estúdio, que cresceu até ao último álbum e os levou, inclusive, até à elitista editora dos Neurosis, explodiu no Hard Club e, logo no início, no Amplifest como um dos melhores concertos do festival.

O Amplifest 2016 estava apenas a começar e os Kowloon Walled City ostentavam já um som luxurioso (felizmente, algo repetido amiúde na grande sala do Hard Club), até em comparação com o que os Minsk haviam feito imediatamente antes. Até porque a banda se destacou por criar tensão emocional não com uma parede impenetrável de amplificação em volumes extremos, um exercício exposto nos seus seus dois primeiros álbuns, mas em oscilações dinâmicas nas estruturas das canções, como “Grievances”, o tema que dá título ao supracitado álbum de 2015, tão bem ilustrou.

A Greco do Jon é uma guitarra com um som inspirador – Scott Evans

Claro que, como é notório num tema como “The Grift”, o poder propulsivo e sonoro da banda continua com dimensão suficiente para devastar qualquer sala. E no final, o som de guitarras de Scott Evans e de Jon Howell foi o primeiro alvo de fascínio que descobrimos no Amplifest 2016. Principalmente, a exalação de calor envolvente da réplica de uma Gibson Les Paul Gold Top (com P-90s), da infame Greco, com que Howell desenhou as linhas melódicas do concerto. Em conversa posterior com a AS, o frontman da banda, Scott Evans, referiu-se a esse peculiar modelo como «uma guitarra com um som inspirador».

Fotos | Pedro Roque