Linda martini destaque

A Linda execução dos Martini

16/02/2018

O novo álbum do quarteto português foi intensamente disparado dentro de um LuxFrágil lotado.

Os Linda Martini já trabalham há mais de 10 anos. Muitos álbuns, muitos singles, muitos concertos. No entanto, o álbum homónimo só chegou este ano (2018), mais precisamente no dia 9 de Fevereiro, e celebra a sonoridade refinada ao longo deste enorme percurso. O estilo de rock intenso entrou em digressão num LuxFrágil lotado (o dia seguinte, no mesmo local, partilha o mesmo feito) para a sua apresentação e uma performance que justificou a caminhada percorrida pela banda até aos dias de hoje.

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“Semi Tédio dos Prazeres” abriu o concerto com transições rápidas e certeiras entre momentos musicais “calmos” e rebeliões instrumentais, uma capacidade muito própria da banda e bem complementada pela performance de André Henriques e da sua Gibson SG que molda adequadamente a sua voz à intensidade necessária. A energia repentina e a instrumentalização estratificada e versátil são certamente os elementos que os fãs procuram num concerto de Linda Martini, e em “Boca de Sal” esta qualidade é fortemente exemplificada com uma grande intensidade no momento do refrão, tanto pelos instrumentos, como pela performance vocal, e com um desenvolvimento instrumental no momento da finalização. O baterista Hélio Morais, além de uma performance exemplar na bateria (como sempre a bater forte), foi o mais falador, e fez a maior parte dos interlúdios de fala com o público, prestando agradecimentos e apontando pequenos factos e curiosidades.

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A energia repentina e a instrumentalização estratificada e versátil são certamente os elementos que os fãs procuram num concerto de Linda Martini

Como seria de esperar, a acústica dentro do LuxFrágil não é a melhor, nem a ideal, para um concerto desta natureza. Por vezes tornava-se difícil a percepção limpa e singular de cada um dos instrumentos tocados pelos quatro “martinis” que durante todo concerto bateram os pés e abanaram as cabeça com pujança.

O momento mais “pacífico” da noite ficou na manga com a faixa “Lição de Voo Nº1”, com o público a acompanhar a letra através de uma voz bem definida e a sentir no corpo uma das melhores progressões instrumentais da banda. Um dos momentos mais altos do noite. Por esta altura, as cabeças e os braços da linha da frente já baloiçavam e bem, e em “Unicórnio De Sta. Engrácia” a voz e a energia do público subiu ainda mais. Esta harmonia entre presa e predador continuou em crescendo até ao final do concerto, e foi durante o encore que o público decidiu contrariar Cláudia Guerreiro, depois da dica: «A ala esquerda está claramente mais entusiasmada». Mais uma ronda de desenvolvimento e progressão instrumental de qualidade com todas as alas frontais em êxtase e vários crowdsurfers (um deles o próprio Pedro Geraldes!) que tornaram o concerto muito mais punk. O final foi trancado pela “Cem Metros Sereia” com o público a cantar vezes e vezes sem conta o único verso da faixa enquanto os músicos se despediam de mais um encontro bem-sucedido.

Ao vivo, ficou mais do que provado que “Linda Martini” é mais um grande álbum do quarteto.

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