As horas da Mão Morta

2014-09-13, Reverence, Valada
Nero
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Eram as horas certas. Eram horas de matar quando os Mão Morta subiram ao palco Reverence para um concerto assassino.

O círculo, que a própria banda afirma ter encerrado, entre o primeiro álbum e o último, foi aberto com “Até Cair” e “E Se Depois”. Os Mão Morta vinham de facas afiadas. Com um grande som, um som de guitarras agressivo, lento e pesado (a ensombrar mesmo os Electric Wizard). Adolfo pediria mesmo mais volume. “Irmão Da Solidão” transporta o niilismo das primeiras notas do novo álbum, e com elas desce o desagradável e fascinante pragmatismo da morte.

A força com que os Mão Morta soam não é apenas bruta, é subtil e intrincada, principalmente nas guitarras

A força com que os Mão Morta soam não é apenas bruta, é subtil e intrincada, principalmente nas guitarras – sem qualquer ponta de nacionalismo, Vasco Vaz foi o melhor guitarrista que passou no festival. Os solos precisos e ágeis revelam o guitarrista de Almada no auge das suas capacidades e da estranheza melódica que acrescenta à simbiose maquinal da banda.

“Charles Manson”, “Berlim”, “Barcelona e “Anarquista Duval” são os clássicos que reafirmam o passado bruto da banda de Braga, junto dos temas de “Pelo Meu Relógio São Horas De Matar”. Poderia dizer-se que faltaram alguns temas mais “festivaleiros”, mas o que a setlist escolhida acabou por provar, se necessário fosse, é que os Mão Morta não são apenas “A” grande banda portuguesa, mas uma banda de mérito indisputável, mesmo a meio de cartazes internacionais. Sem psicadelismo, mas com realismo, deram o concerto mais pesado e agressivo do Reverence.

SETLIST

  • Até Cair
    E Se Depois
    Irmão Da Solidão
    Pássaros A Esvoaçar
    Fazer De Morto
    Charles Manson
    Berlim
    Hipótese Do Suicídio
    Barcelona
    Vamos Fugir
    Anarquista Duval
    Horas De Matar