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Melvins

Freak Puke

Ipecac, 2012-06-05

Nero

“A Growing Disgust” era já conhecida devido às graças do YouTube. O tema, para não falar nos álbuns anteriores, prenunciava algo de bom. Ainda assim, não preparava para o sentido surpreendente do disco. Com uma carreira tão extensa seria difícil a banda não ser uma influência determinante a si própria, mas os arranjos de cordas extravagantes, do contrabaixo de Trevor Dunn, que abrem o disco em Mr. Rip Off”, que improvisam na curta “Inner Ear Rupture” ou se conjugam com o som “sabbathiano” dos Melvins em “Baby, Won’t You Weird Me Out”, fazem a banda soar nova, como uns Kronos Quartet sob a influência de ácidos. No final de “Worm Farm Waltz” parece quase estarmos a ouvir as madeiras serem pressionadas até partir!

O charme sonoro do disco, fornecido pelo baixo (especialmente nesses momentos tocado com arco), aumenta o sentido jazzístico da bateria de Dale Crover. A meio do álbum começa a ganhar, progressivamente, um sentido “roqueiro” mais clássico da banda. Esse cruzamento experimental com a solidez de um mestre de riffs, como King Buzzo, torna “Freak Puke” um dos álbuns do ano e os Melvins uma das raras bandas que a cada álbum consegue reinventar-se. E este já é o 18º! Movendo-se numa familiar estranheza, há ainda o bónus da versão a “Let Me Roll It”, de Paul McCartney no álbum de 1974 “Band on the Run”, o seu melhor pós The Beatles.