MIL’ 18: Best Youth, El Señor, Corine

MIL’ 18: Best Youth, El Señor, Corine

2018-04-05, Vários Locais, Lisboa
António Maurício
Jaime Pires
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  • 8
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O MIL em Lisboa segue o conceito de festival do Vodafone Mexefest, muitas salas, muitos concertos, pouco espaço de manobra. É impossível assistir a todas as performances e o tempo revela-se valioso e necessita de estar bem programado. Esta gestão é, de facto, um dos pontos positivos. Saltar de sala em sala não só é divertido como permite conhecer os diferentes espaços característicos da noite lisboeta tal como os géneros e estilos musicais sugeridos. A experiência possibilitou descobrir intimidade indie, rock de praia e nostalgia dos anos 80 no primeiro dia do festival MIL, em Lisboa.

Os Best Youth apresentaram-se no Musicbox com a intimidade já característica em palco, a sua assumida imagem de marca. O duo de Ed Rocha Gonçalves e Catarina Salinas tem uma química invejável que aquece os corações do público através de músicas leves e suaves que se inserem maioritariamente na caixa do dream pop. Com uma guitarra, sintetizador, e a voz encantadora de Catarina, entramos neste mundo paralelo onde tudo se transforma num conto de fadas. O som sem grandes camadas distribuiu-se bem pela sala, com um excelente balanço entre agudos e graves enquanto a voz da vocalista destacava-se e fazia baloiçar os corpos dos presentes. Era raro o momento em que os dois artistas estivessem virados para o público, encontravam-se frente a frente e fixavam o olhar entre si, como se estivessem a tocar só para eles mesmos. Uma estética apaixonante que reflete o trabalho íntimo e quente dos Best Youth. Apesar dos tempos lentos e da sonoridade dreamy frequente em músicas como “Still Your Girl” também foram proporcionados momentos de dança com ritmos mais mexidos em faixas como “Renaissance”. Um concerto badalado e com muita qualidade vocal.

Foto: Ana Viotti /MIL 2018

Em seguida, no Tokyo, os El Señor produziram e distribuíram rock que cheirava a areia e água com a inquietude da juventude que os caracteriza. O Surf Rock do trio entrou com uma guitarra forte e imperativa que marcava o ritmo com autoridade ao longo do concerto. O baixo transmitia as notas de preenchimento e a bateria marcava o ponto com segurança. No entanto, a apresentação no pequeno espaço do Tokyo, não se mostrou capaz de apresentar o som de forma contagiante. A energia não alcançou os níveis esperados, esperava-se mais garra, mais impulso. Um concerto com esta sonoridade, num local “apertado”, pedia mais euforia.

Foto: Maria Gavinho | MIL 2018

Os franceses Corine foram uma enorme caixinha de surpresas no Sabotage. A música começa e os quatro elementos em palcos distribuem em conjunto música que ativa de imediato a nossa nostalgia para os anos 80 da produção electrónica disco. Aquela música que se dança por baixo de bolas de espelhos com sapatos pontiagudos e roupas brancas. São lançadas vocais com efeitos (ao vivo) que podiam ter sido directamente retiradas de um álbum dos Daft Punk, com aquele estilo robótico característico. Os instrumentos de teclas pintavam maioritariamente o ambiente disco e os quatro elementos partilhavam uma energia mediática. Energia que subiu ainda mais depois da entrada exuberante da vocalista. Com um andar dramático, de super-estrela, surgiu do lado direito do palco, entre o público, e caminhou lentamente até chegar ao palco. Com uma maquilhagem pálida, dançou e cativou todos os que lá estavam antes de providenciar as suas vocais que saltitavam entre o canto e a fala. Um concerto que se verificou intenso, nostálgico e eletrizante pelas músicas de discoteca criativas que se colam ao ouvido, mas também pela própria personagem da vocalista que se apresentou como uma super star pronta para impressionar tudo e todos.

Foto: Jaime Pires / MIL 2018