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Mogwai

Hardcore Will Never Die But You Will

Popstock, 2011-02-14

Nero

Poderá haver quem preferisse de outra forma, mas os Mogwai neste último disco mostram que são uma banda com princípios melódicos cada vez mais acentuados, isto como veículo emocional em detrimento duma relação dinâmica de choque dos primeiros trabalhos. Contudo, a banda não abdicou totalmente dessa terapia, mas ganhou mestria em trabalhá-la, juntando a essa maturidade a força melódica e até um trabalho maior de exploração de elementos diferentes ao seu corpo instrumental [programação, por exemplo], os Mogwai conseguem um álbum extraordinário como é este “Hardcore Will Never Die, But You Will”. Num estado de graça como o que a banda se encontra, chega a ser comovente a forma como nos presenteiam com um tema como “Death Rays”.

Com uma atmosfera de benção e um espírito de inocência e optimismo quase gospel. Essa atmosfera uplifting surge também em “How To Be A Werewolf”. Surpreendem em “Mexican Grand Prix” com linha vocais e uma atitude contemporânea, como se estivéssemos a escutar um mash-up de Sonic Youth com PJ Harvey. Um tema em crescendo até um clímax soberbo. Essa contemporaneidade surge também num tema como “San Pedro”, mas afinal os escoceses são um dos pilares fundadores deste modernismo. Isso de qualquer forma terá também a ver com a produção de Paul Savage [Franz Ferdinand, Arab Strap] que volta a trabalhar com a banda, novamente nos estúdios Chem19, após o disco de estreia “Young Team”. Ter um produtor cuja base musical é a bateria [The Delgados] promove sem dúvida a criatividade, solidez e dinâmica que este disco apresenta neste aspecto. Continua a ser Martin Bulloch o baterista, mas tem uma alma nova neste disco. Quanto a post rock? Bom, “You’re Lionel Richie” é uma lição a uma vaga gerada por hype nos últimos anos, um tema para os manuais how to

Mas, mais que um álbum de surpresas este é um disco de confirmações como a que temos sobre a própria banda, os Mogwai são uma das grandes bandas da transição entre milénios. E isto por uma razão muito simples: nunca desvirtuaram a sua identidade, fizeram-na desenvolver-se. No final este disco consegue congregar todas as fases da banda, agora envolvidas por uma maior mestria no recurso ao piano, que passou dois álbuns a ser sublimado no som da banda. É possivelmente o melhor trabalho da banda, o mais completo e coeso, pelo menos.