Mumford and Sons, a todo o vapor em Lisboa

Mumford and Sons, a todo o vapor em Lisboa

2019-04-25, Altice Arena
António Maurício
Inês Barrau
7
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A banda britânica voltou a Lisboa após três concertos em Portugal, o anterior no festival NOS Alive, em 2015, e carregada com o novo álbum “Delta”, que assinalou a maior porção do concerto.

«É bom estar de volta» – foram estas as primeiras palavras direccionadas ao público pelos Mumford and Sons. Com o novo álbum “Delta” em mãos, a banda de Marcus Mumford, Ben Lovett, Winston Marshall e Ted Dwane chegou com vontade de apresentar as novas sonoridades e aconchegar os fãs com os temas clássicos.

O palco de 360 graus fixou-se no centro da Altice Arena, acompanhado por 4 ecrãs suspensos no ar que cobriam os quatro cantos da sala e uma plataforma de luzes maleável que se adaptava aos diferentes momentos sonoros. A bancada estava bem mais composta em comparação com a plateia em pé, onde conseguimos, com facilidade, circular livremente à volta do palco.

Começando com um dos singles do novo álbum mais bem sucedidos, “Guiding Light”, e seguindo com a popular “Little Lion Man”, o motor dos Mumford and Sons arrancou a todo a vapor. Reduziram a velocidade com “The Cave”, que apresentou um instrumental mais simples, mais despedido de instrumentos e um maior foco da voz de Marcus Mumford.

A música folk destes rapazes é muito marcada pela variação e crescimento instrumental megalómano. Em “Beloved”, por exemplo, a bateria foi crescendo desde o início até ao final – o baterista Chris Maas só começou a espremer a tarola no último minuto – o que criou um sentimento grandioso de conclusão. Mas Chris não foi o único a agarrar nas baquetas, o “rosto da banda”, Marcus Mumford, também se sentou no lugar do baterista em “Lover of the Light” e desempenhou a tarefa com todo o mérito. Ainda em tópico de trocas, a troca de instrumentos acontecia com frequência: guitarra eletroacústica por uma guitarra eléctrica, guitarra eléctrica por banjo, ou até baixo por contrabaixo. Além disso, com alguma periodicidade, violinos e trompetes tocados por membros “extra-banda” adicionavam novas camadas.

A guitarra eléctrica de Winston Marshall ganhou destaque (com direito a uma luz superior só para si) na faixa “Tompkins Square Park”, que foge ligeiramente ao centralismo folk da banda e mete o pé no indie rock. Roubou o espectáculo a todos os outros membros da banda e encontrou um espaço só seu sem se esforçar. Em “Believe”, observamos o clássico momento pacato com luzes de telemóvel a baloiçar da esquerda para a direita. A faixa pedia este cenário que, apesar de ser cliché, nunca falha e fica bonito.

No momento do encore, decidiram regressar ao palco com uma mentalidade minimalista. Os quatro membros, uma guitarra acústica e um microfone. Tocaram “Timshel” e “Forever”, num momento de ternura que amplificou as mensagens de auto-motivação tão presentes em todo o catálogo da banda. Em seguida, pediram a presença dos Gang of Youths (a banda de abertura) e em conjunto tocaram a cover “Middle east” com um poder instrumental muito maior e um trompete fantástico.

O fecho ficou a cargo de “I Will Wait”, que gerou uma dança contagiante por toda a arena, e “Delta”. Nos últimos segundos foram lançados confettis que se espalharam entre o público e Marcus Mumford despediu-se com a bandeira de Portugal na mão.

SETLIST

  • Guiding Light
    Little Lion Man
    Holland Road
    The Cave Beloved Lover of the Light
    Tompkins Square Park
    Believe
    Ditmas
    Slip Away
    Picture
    You Darkness Visible
    The Wolf
    Timshel Forever
    Blood (The Middle East cover)
    Awake My Soul
    I Will Wait
    Delta