A banda britânica voltou a Lisboa após três concertos em Portugal, o anterior no festival NOS Alive, em 2015, e carregada com o novo álbum “Delta”, que assinalou a maior porção do concerto.
«É bom estar de volta» – foram estas as primeiras palavras direccionadas ao público pelos Mumford and Sons. Com o novo álbum “Delta” em mãos, a banda de Marcus Mumford, Ben Lovett, Winston Marshall e Ted Dwane chegou com vontade de apresentar as novas sonoridades e aconchegar os fãs com os temas clássicos.
O palco de 360 graus fixou-se no centro da Altice Arena, acompanhado por 4 ecrãs suspensos no ar que cobriam os quatro cantos da sala e uma plataforma de luzes maleável que se adaptava aos diferentes momentos sonoros. A bancada estava bem mais composta em comparação com a plateia em pé, onde conseguimos, com facilidade, circular livremente à volta do palco.
Começando com um dos singles do novo álbum mais bem sucedidos, “Guiding Light”, e seguindo com a popular “Little Lion Man”, o motor dos Mumford and Sons arrancou a todo a vapor. Reduziram a velocidade com “The Cave”, que apresentou um instrumental mais simples, mais despedido de instrumentos e um maior foco da voz de Marcus Mumford.
A música folk destes rapazes é muito marcada pela variação e crescimento instrumental megalómano. Em “Beloved”, por exemplo, a bateria foi crescendo desde o início até ao final – o baterista Chris Maas só começou a espremer a tarola no último minuto – o que criou um sentimento grandioso de conclusão. Mas Chris não foi o único a agarrar nas baquetas, o “rosto da banda”, Marcus Mumford, também se sentou no lugar do baterista em “Lover of the Light” e desempenhou a tarefa com todo o mérito. Ainda em tópico de trocas, a troca de instrumentos acontecia com frequência: guitarra eletroacústica por uma guitarra eléctrica, guitarra eléctrica por banjo, ou até baixo por contrabaixo. Além disso, com alguma periodicidade, violinos e trompetes tocados por membros “extra-banda” adicionavam novas camadas.
A guitarra eléctrica de Winston Marshall ganhou destaque (com direito a uma luz superior só para si) na faixa “Tompkins Square Park”, que foge ligeiramente ao centralismo folk da banda e mete o pé no indie rock. Roubou o espectáculo a todos os outros membros da banda e encontrou um espaço só seu sem se esforçar. Em “Believe”, observamos o clássico momento pacato com luzes de telemóvel a baloiçar da esquerda para a direita. A faixa pedia este cenário que, apesar de ser cliché, nunca falha e fica bonito.
No momento do encore, decidiram regressar ao palco com uma mentalidade minimalista. Os quatro membros, uma guitarra acústica e um microfone. Tocaram “Timshel” e “Forever”, num momento de ternura que amplificou as mensagens de auto-motivação tão presentes em todo o catálogo da banda. Em seguida, pediram a presença dos Gang of Youths (a banda de abertura) e em conjunto tocaram a cover “Middle east” com um poder instrumental muito maior e um trompete fantástico.
O fecho ficou a cargo de “I Will Wait”, que gerou uma dança contagiante por toda a arena, e “Delta”. Nos últimos segundos foram lançados confettis que se espalharam entre o público e Marcus Mumford despediu-se com a bandeira de Portugal na mão.