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Nathaniel Rateliff & The Night Sweats

Nathaniel Rateliff & The Night Sweats

Caroline International Portugal, 2015-08-21

EM LOOP
  • I Need Never Get Old
  • S.O.B
  • Look It Here
Nero

Na sua “segunda vida”, Nathaniel Rateliff fez um daqueles álbuns que destila bagaço. Carregado de intensidade soul e da evocação de como a vida é melhor vivida, em excessos constantes.

Diz-se que o crime não compensa. A América passou, sensivelmente, uma década a gastar recursos na aplicação da Proibição. Imagine-se quantos litros de bom veneno destilado foi desperdiçado. Como não há mal que não venha por bem, essa época fez florescer os moonshiners, que refinaram carrascas com uma coice e potência capazes de arrepiar o próprio Dionísio.

Nathaniel Rateliff nasceu no Estado do Missouri, no coração da América, habitado por gente indómita, por gente capaz de fazer a sua pinga se o Governo a proibir de rebentar o salário a descomprimir da semana em que o ganhou. Foi aí que Rateliff começou a refinar a sua expressão musical e então mudou-se para o Colorado.

Juntou-se aos Wheels e passou cerca de uma década a gastar recursos em bons álbuns que, por uma razão ou por outra, acabaram meio desperdiçados. Como não há mal que não venham por bem, essa década fez Rateliff florescer o seu som, principalmente refinado através duma explosividade em concerto, capaz de dar uma dimensão electrificante à sua base acústica.

Se já se emborracharam com Moonshine é provável que tenham passado o sono com “suores nocturnos”. Há um par de anos Rateliff juntou-se aos Night Sweats, abraçou de vez as guitarras eléctricas, e o resultado está aí. O álbum homónimo capta a ferocidade reconhecida aos concertos do músico, ao mesmo tempo que congrega folk, americana, soul e pop. Uma palavra para o vozeirão de Nathaniel Rateliff. Absorvente nos momentos mais calmo e com um poder soul considerável, como uma versão feminina de Brittany Howard, dos Alabama Shakes.

O álbum homónimo capta a ferocidade reconhecida aos concertos do músico, ao mesmo tempo que congrega folk, americana, soul e pop.

Diz Rateliff que para gravar o álbum bastou-lhe «parar de beber durante uns tempos e reparar que isso me deixava imenso tempo livre». Esta estreia da sua colaboração com os Night Sweats destila bagaço e autenticidade. É uma celebração de vida vivida a melhor forma, em excessos. Desde a amargura amorosa de “Look It Here” à rebaldaria de bar em “S.O.B.”, os vários momentos do álbum são preenchidos por arranjos ricos, sejam complexos ou simples (e são simples, na sua maioria, com bases directas e crescendos emocionais), por um grande sentido de canção e uma potente dimensão harmónica, seja através dos coros vocais ou dos metais.

Diz-se que o crime não compensa? Di-lo quem não gosta de beber ou ouvir uma grande pomada. «Damn… I need a drink»!