Nick Murphy: Evolução Presente, Chet Faker Também

Nick Murphy: Evolução Presente, Chet Faker Também

2019-10-01, Coliseu dos Recreios
António Maurício
Inês Barrau
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A primeira paragem da digressão europeia do novo álbum “Run Fast Sleep Naked” aconteceu em Lisboa, no Coliseu dos Recreios. Nick Murphy olha para o futuro com novas ideias musicais, mas as composições como Chet Faker continuam a ser paragens obrigatórias.

Nicholas James Murphy, Nick Murphy ou Chet Faker. Dos três nomes do artista, o último é talvez o mais conhecido. Foi como Chet Faker que criou as suas músicas mais badaladas na internet, combinando indie rock com electrónica e com toques experimentais.

Portugal foi o ponto de partida para a digressão europeia de “Run Fast Sleep Naked”, o mais recente álbum, onde assume por completo o novo nome artístico de Nick Murphy. Em entrevista à NME, afirma que a mudança aconteceu porque mudou a sua mentalidade: «Já não me questiono sobre ‘O que é fixe?’, agora questiono-me sobre ‘O que é que gosto?’».

A presença no Coliseu dos Recreios, na primeira noite de Outubro, veio apresentar esta nova faceta, mas não excluiu os trabalhos anteriores.

Começamos com a faixa que abre as portas do novo álbum. “Hear it Now”, com uma introdução alternativa ambiental (provavelmente criada para os concertos), até à entrada em simultâneo da bateria, baixo, sintetizador e saxofone, que marcariam presença durante todo o espectáculo – desaparecendo apenas por momentos na secção das baladas. Tal como no contexto do álbum, foi uma boa inauguração do especto sonoro de Murphy, com improvisações na guitarra e saxofone.

“Gold” foi disparada em segundo lugar. Talvez o maior sucesso comercial de Nick quando ainda era Chet. A opçãode “despachar” uma das suas maiores conquistas no início do concerto foi inesperada. Seria de esperar guardar a faixa mais reconhecida para o final, mas talvez o propósito seja largar o peso que carrega nas costas dos êxitos anteriores e focar-se na sua nova vida. A execução foi incisiva e a plateia no centro do Coliseu já tinha o que queria para começar o movimento. Mas o final de “Gold” não chegou.

A faixa transitou, sem paragens e com a ajuda dos sintetizadores, para “1998”, que inclui um ritmo mais electrónico e dançante, com produção ligeiramente “glitch” e samples de vozes no background. Antes de terminar “1998”, o instrumental voltou a ser dominado pelos sintetizadores, lembrando as acrobacias dos Disclosure.

A energia ficou mais íntima e serena com “Harry Takes Drugs On The Weekend”, uma meia-balada onde o baterista Robby Sinclair recorre a sinos para abrilhantar a sonoridade. Mas o verdadeiro trunfo desta música surgiu com o solo de saxofone, por parte de Grant Zubritsky, além de ser um óptimo complemento à música, permitiu esquecer a forte utilização dos sintetizadores. A verdadeira balada aconteceu com “I’m Into You”. Murphy ficou sozinho em palco e, à frente de um visor totalmente preenchido pela cor vermelha, cantou suavemente os versos românticos enquanto assumia também o papel de teclista.

Um momento caloroso que foi extremamente bem recebido pelos presentes com várias ovações, mesmo durante a reprodução. “Novacaine and Coca Cola” continuou o ritmo desacelerado, mas com os restantes instrumentos novamente presentes.

Também encontrámos “The Trouble With Us”, “Birthday Card” ou “Believe Me” ao vivo e antes do encore chegou outro momento esperado pela plateia – “Talk is Cheap”. A faixa foi picada com uma melodia no piano que não enganou os mais atentos, mas quando entrou o saxofone, o Coliseu dos Recreios encheu-se de barulho. A melodia de voz em “Talk is Cheap” é uma das maiores realizações de Nick Murphy e a performance ao vivo fez justiça à gravação de estúdio.

Depois do encore, “Dangerous” e “Sanity” fecharam um concerto que foi dividido entre momentos animados e tranquilos. Um equilíbrio entre felicidade e reflexão, procurando sempre o melhor dos dois estados de espírito.

SETLIST

  • Hear It Now
    Gold
    1998
    Harry Takes Drugs On the Weekend
    The Trouble With Us
    Birthday Card
    Believe Me
    I’m Into You
    Novacaine and Coca Cola
    Talk Is Cheap
    Dangerous
    Sanity