Bryan Ferry, Holofotes para Spedding

Bryan Ferry, Holofotes para Spedding

2018-07-12, Passeio Marítimo de Algés, NOS Alive
Nero
Inês Barrau
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Num concerto carregado do habitual charme de Bryan Ferry, com uma setlist luxuosa, Chris Spedding arrasou na guitarra eléctrica.

Não é necessário grandes introduções ao frontman de Roxy Music, Bryan Ferry é um dos mais charmosos cantores do rock ligeiro e no dia 12 de Julho, no NOS Alive, tornou a mostrar que mantém intactas qualidades que o definem de forma enciclopédica como o charme, visual, gestual e vocal, a tranquilidade que deixa transparecer em palco e o imenso carisma.

Talvez seja, no entanto, necessário perder algum tempo a apresentar a verdadeira estrela do concerto de Bryan Ferry na passada quinta feira, o guitarrista Chris Spedding. O músico é um dos mais versáteis guitarristas de sessão britânicos, tendo tido uma carreira prolífica na década de 70, nas ilhas de Sua Majestade e em ambos os lados do Atlântico, tendo gravado para nomes como Paul McCartney, Brian Eno, John Cale ou Roger Daltrey, apenas para citar alguns. Conta ainda no currículo discográfico como membro integrante de mais de uma dezena de bandas.

O músico tem ainda amplos talentos como produtor e compositor. Mas por mais que o seu carácter nunca o tenha conduzido às luzes da ribalta, Bryan Ferry manteve-o debaixo de olho desde que este fez parte de trabalhos dos Roxy Music e sensivelmente desde o início da década que Spedding faz parte da banda que acompanha Ferry ao vivo. No NOS Alive, subiu a palco com uma deslumbrante Les Paul de James Trussart, ou melhor, uma SteelDeville (alternaria esse modelo com uma Stratocaster Olímpica ao longo da setlist) e pontuou todo o concerto com notável destreza (ou dinamitando, por exemplo, “Casanova”, com os solos em slide) e com enorme calor nos dedos, criando um som meloso e elegante sobre o rythm & blues da banda.

Banda capaz de coorporizar uma cama instrumental plenamente ajustada à voz de Ferry, desde a entrada com “The Main Thing” (e os temas originais de Roxy Music ocupariam uma larga parte do concerto, naturalmente), passando por “Slave To Love”, momento que levantou a primeira vaga de smartphones (não vá dar-se o caso de não haver gravações suficientes desse clássico), até à deslumbrante “Avalon”, em que as sintetizações emanadas por um Korg Kronos e um Nord Stage 2, juntamente com os coros angelicais cativaram de vez o público, abrindo portas a uma tríade final de luxo, com “Love Is The Drug”, “Virginia Plain” e o boogie de “Let’s Stick Together”.

Chapeaux!

SETLIST

  • The Main Thing
    Don’t Stop the Dance
    Ladytron
    Out of the Blue
    Casanova
    Bête Noire
    Stronger Through the Years
    Where or When
    Slave to Love
    In Every Dream Home a Heartache
    Re-Make/Re-Model
    Avalon
    Love Is the Drug
    Virginia Plain
    Let’s Stick Together