NIN, Pérolas A Porcos

NIN, Pérolas A Porcos

2018-07-12, Passeio Marítimo de Algés, NOS Alive
Nero
Thiago Batista
8
  • 10
  • 9
  • 6
  • 7

Os Nine Inch Nails deram um dos melhores concertos no Alive’18. Reznor criou um espectáculo meticuloso, orgânico e intenso, com um forte sentido cinematográfico.

A fúria abrasiva de som com que os NIN entraram no concerto, merecia mais volume. Muito mais volume. “Wish”, “Less Than” e “March Of The Pigs”, revestidas da força das baterias de Ilan Rubin, em detrimento do carácter mais electrónico dos álbuns, soaram violentas, mas distantes.

Nesse início do concerto, também a luz diurna removeu impacto visual ao frenético jogo de luzes e à verdadeiramente fora-de-série realização vídeo em tempo real oferecida nos ecrãs gigantes. Um efeito colateral da aversão de Reznor aos media, grandes organizações, produções mainstream e major labels, à forma como procuram ditar regras aos músicos e controlar o seu output criativo. Zeloso de todos os detalhes, Reznor criou um espectáculo meticuloso, orgânico e intenso, com um forte sentido cinematográfico, a que não será alheio Atticus Ross.

O compositor de bandas-sonoras, que fez dos NIN uma dupla, a partir de 2016, teve um papel discreto na programação. Não sobrecarregou os temas com sintetização, tendo antes criado fundos sonoros com a eficácia de um experiente paisagista sónico. Foi também em momentos como “Piggy” e “Lovers”, mais instrospectivos, que teve maior preponderância.

De seguida, “Shit Mirror” e “God Break Down The Door”, os únicos dois temas do recente “Bad Witch” (editado no passado 22 de Junho) a serem apresentados no alinhamento, confirmam a ideia de o álbum ser algo desinspirado, talvez pela quase ausência das guitarras de Robin Finck nesses temas. Ainda que a soberba interpretação de Rubin tenha catapultado o último a outro patamar, logo de seguida, surgem singles tão marcantes como “Closer” e “Copy Of A” e estupenda “I’m Afraid Of Americans” a forçar uma certa ostracização aos sons do novo disco.

Ao lado de Reznor, Robin Finck, um dos guitarristas que Axl Rose procurou para reiventar Guns N’ Roses na era Chinese Democracy, esteve soberbo e pujante, tendo sido sublime na versão de David Bowie, gravando a fogo na nossa memória aquele bending com que chamou a distorção no segundo bloco da canção.

Finck usou maioritariamente um modelo Reverend Sensei RA, mas também pudemos ver em acção a sua Schecter de assinatura (a Ultra III teve edição bastante limitada) e uma Godin Multiac ACS num dos momentos mais esperados na noite quando se ouviu “Hurt”.

SETLIST

  • Wish
    Less Than
    March of the Pigs
    Piggy
    The Lovers
    Shit Mirror
    God Break Down the Door
    Closer
    Copy of A
    I’m Afraid of Americans
    Gave Up
    The Hand That Feeds
    Head Like a Hole
    Hurt